Gravidez: gripe aumenta resposta imune

Estudo publicado nos “Proceedings of the National Academy of Sciences”

25 setembro 2014
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As mulheres grávidas têm uma resposta imune invulgarmente forte ao vírus influenza, revela um estudo publicado nos “Proceedings of the National Academy of Sciences”.
 

De acordo com os investigadores da Escola de Medicina da Universidade de Stanford, nos EUA, estes resultados são surpreendentes uma vez que se pensava que a resposta imune ficava enfraquecida durante a gravidez, de modo a evitar que o organismo da mulher rejeitasse o do feto.
 

“Agora percebemos que uma gripe severa na gravidez é uma doença hiper-inflamatória em vez de um estado de imunodeficiência. Isto significa que o tratamento da gripe na gravidez deverá incidir mais na modelação da resposta imune do que na replicação viral”, revelou, em comunicado de imprensa, uma das autoras do estudo, Catherine Blish.
 

Para o estudo, os investigadores recolheram células imunitárias de mulheres grávidas e 29 mulheres não grávidas, as quais foram posteriormente expostas a duas estirpes do vírus da gripe: o vírus H1N1 pandémico e uma estirpe da gripe sazonal, a H3N2. As amostras de sangue foram colhidas antes e sete dias após as participantes terem recebido uma vacina contra gripe. Seis semanas após o parto, foram também retiradas e testadas amostras de células.
 

O estudo apurou que a gravidez aumentou a resposta imune de dois tipos leucócitos (células NK e linfócitos T) ao vírus H1N1. Comparativamente com as células das mulheres que não estavam grávidas, o vírus H1N1 fez com que as células NK e linfócitos T das mulheres grávidas produzissem mais citoquinas e quimoquinas. Estas moléculas ajudam a atrair mais células imunitárias para o local de infeção.
 

A investigadora explicou que níveis muito elevados de quimoquinas e o consequente recrutamento de células imunitárias são prejudiciais para o pulmão, uma vez que é necessário espaço para o ar.
 

Atualmente, as mulheres grávidas infetadas com o vírus da gripe são tratadas com fármacos para abrandar a replicação do vírus. Apesar de este ser um tratamento útil, estes novos achados sugerem que esta não é a única opção terapêutica benéfica.
 

Os investigadores esperam que estes resultados ajudem a lembrar as mulheres grávidas, ou as mulheres que estão a pensar engravidar, a importância da toma da vacina contra a gripe. “A vacinação contra a gripe é muito importante para que esta resposta inflamatória seja evitada”, conclui o líder do estudo, Alexander Kay.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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