Gravidez: exposição ao BPA causa stress oxidativo na mãe e filho

Estudo publicado na revista “Endocrinology”

23 janeiro 2015
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A exposição ao bisfenol A (BPA) durante a gravidez pode causar dano oxidativo que põe em risco o bebé de desenvolver diabetes ou doença cardíaca mais tarde na vida, dá conta um estudo publicado na revista “Endocrinology”.
 

O BPA é um produto químico utilizado na produção de plásticos e resinas epóxi. Esta substância pode ser encontrada em vários produtos de consumo, incluindo garrafas de plástico, latas e recibos das caixas registradoras.
 

O stress oxidativo ocorre quando o organismo é exposto a níveis elevados de radicais livres, substâncias químicas altamente reativas que têm a capacidade de danificar as células quando o organismo processa oxigénio, e o corpo não é capaz de neutralizar estes produtos suficientemente rápido para corrigir o desequilíbrio. Algumas toxinas ambientais, como o fumo de cigarro, radiação ionizante ou alguns metais podem conter elevadas quantidades de radicais livres ou estimular a sua produção.
 

Neste estudo, os investigadores da Universidade de Michigan, nos EUA, analisaram amostras de sangue provenientes de 24 pares de mães e filhos, de forma a avaliar os efeitos da exposição ao BPA. Foram também recolhidas amostras de sangue durante o primeiro trimestre da gravidez.
 

As mulheres foram divididas em dois grupos distintos: as que apresentavam níveis mais baixos de BPA no sangue e aquelas que tinham níveis mais elevados. Foram também recolhidas amostras de sangue do cordão umbilical após o nascimento e medida a quantidade de subprodutos químicos criados pelo stress oxidativo.
 

O estudo apurou que as mulheres e os bebés expostos a níveis elevados de BPA apresentavam sinais de stress oxidativo causado pela exposição excessiva aos radicais livres derivados do óxido nítrico.
 

Para além dos seres humanos, os investigadores estudaram os efeitos do BPA na gravidez em ovelhas, ratos e ratinhos. Os animais foram alimentados com uma dieta rica ou pobre em doses de BPA. Os níveis de stress oxidativo das mães e filhos foram medidos nas amostras de sangue. Os resultados encontrados corroboraram aqueles obtidos nos estudos realizados nos humanos.
 

De acordo com uma das investigadoras, Vasantha Padmanabhan, este estudo sugere que a exposição ao BPA durante a gravidez pode induzir um tipo específico de stress oxidativo, conhecido como stress nitrosativo, nas mães e nos filhos. O stress oxidativo está associado à resistência à insulina e inflamação, fatores de risco para diabetes e outras doenças metabólicas, bem como doença cardiovascular.
 

Estes resultados indicam que “as mulheres grávidas devem minimizar a exposição ao BPA para proteger os seus filhos e elas próprias dos danos oxidativos”, conclui a investigadora.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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