Gravidez: excesso de folato pode ser prejudicial

Estudo da Universidade Johns Hopkins

06 junho 2016
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A ingestão excessiva de folato na gravidez pode aumentar o risco de a criança desenvolver autismo, defende um estudo apresentado na Reunião Internacional para a Investigação do Autismo 2016.
 

Os investigadores da Universidade Johns Hopkins, nos EUA, constataram que, se as mulheres apresentarem níveis elevados de folato (quatro vezes mais do que o normal) logo após o parto, o risco de a criança desenvolver perturbações do espetro autista duplica. Níveis elevados de vitamina B12 também são potencialmente prejudiciais, uma vez que triplicam o risco deste tipo de perturbações.
 

O estudo apurou ainda que, se ambos os níveis forem elevados, o risco de a criança desenvolver a doença aumenta 17,6 vezes. O folato, uma vitamina B, pode ser encontrado naturalmente nas frutas e vegetais, enquanto a versão sintética, o ácido fólico, é utilizada para enriquecer cereais e pães nos EUA e nos suplementos vitamínicos.
 

“Há muito que sabemos que a deficiência em folato nas mulheres grávidas é prejudicial para o desenvolvimento do bebé. Contudo, o estudo informa que quantidades excessivas também podem ser prejudicais”, revelou, em comunicado de imprensa, uma das autoras do estudo, M. Daniele Fallin.
 

O folato é essencial para o crescimento celular e promove o desenvolvimento neurológico. Níveis deficientes deste nutriente no início da gravidez têm sido associados a defeitos ao nascimento e a um aumento do risco de desenvolvimento de perturbações do espetro autista. Apesar dos esforços para assegurar as quantidades adequadas de folato, algumas mulheres não ingerem a quantidade necessária ou o organismo não o absorve corretamente, conduzindo ao desenvolvimento de deficiências.
 

Por outro lado, a perturbação do espetro autista é uma doença relacionada com o desenvolvimento neurológico, caracterizada por problemas sociais e de comunicação, bem como comportamentos repetitivos e incomuns.
 

Para o estudo, os investigadores analisaram os dados de 1.391 pares de mães e filhos. As mães foram recrutadas na altura do nascimento dos filhos, entre 1998 e 2013, e acompanhadas ao longo de vários anos. Os níveis de folato foram avaliados entre o primeiro e o terceiro dia após o nascimento.
 

Os investigadores constataram que uma em dez mulheres tinha níveis excessivos de folato (mais de 59 nanomoles por litro) e seis por cento tinha níveis excessivos de vitamina B12 (mais 600 picomoles por litro). De acordo com a Organização Mundial de Saúde, no primeiro trimestre de gravidez, os níveis de folato devem variar entre 13,5 e 45,3 nanomoles por litro.
 

Uma grande maioria das mães disse ter tomado multivitaminas, que incluem ácido fólico e vitamina B12, ao longo da gravidez. Os investigadores não sabem ao certo por que motivo algumas mulheres apresentavam níveis tão elevados de folato no sangue. Contudo, sugerem que as mulheres podem ter ingerido alimentos enriquecidos com ácido fólico em excesso ou que algumas podem ser geneticamente predispostas à absorção de maiores quantidades de folato ou metabolizar este nutriente mais lentamente.
 

Na opinião dos investigadores são necessários mais estudos para determinar a quantidade de ácido fólico que as mulheres grávidas devem ingerir durante a gravidez para que saúde da descendência seja assegurada.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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