Gravidez: consumo moderado de álcool não é prejudicial para a criança

Estudos publicados no “BJOG: An International Journal of Obstetrics and Gynaecology”

22 junho 2012
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O consumo baixo e moderado de álcool no início da gravidez não está associado com efeitos adversos neuropsicológicos nas crianças de cinco anos. Contudo, o consumo de níveis elevados de álcool diminui a capacidade de atenção destas crianças, sugerem um conjunto de estudos publicados no “BJOG: An International Journal of Obstetrics and Gynaecology”.

 

Para os seus estudos os investigadores da Aarhus University Hospital e da University of Copenhagen, na Dinamarca, contaram com a participação de 1.628 mulheres que tinham uma média de 30,9 anos, sendo que 50,1% destas eram mães pela primeira vez, 12,1% eram solteiras e 31,4 tinham fumado durante a gravidez.

 

Os autores do estudo definiram como consumo baixo de álcool a ingestão de uma a quatro bebidas por semana, moderado como cinco a oito bebidas por semana e elevado o consumo de nove ou mais bebidas por semana. O consumo excessivo de álcool foi definido com a ingestão de cinco ou mais bebidas alcoólicas numa só ocasião.

 

De forma a avaliar dos efeitos do consumo de álcool durante a gravidez, os investigadores submeteram as crianças de cinco anos de idade a testes de QI, atenção, função executiva, que inclui nomeadamente capacidades de planeamento, organização e autocontrolo.

 

De uma forma geral, os estudos constataram que o consumo baixo a moderado de álcool por semana não afetou o desenvolvimento das crianças, nem tão pouco o consumo excessivo. O estudo apurou que, tanto as crianças das mães abstémicas como aquelas cujas mães bebiam cerca de uma a quatro bebidas ou cinco a oito bebidas por semana obtiveram resultados semelhantes nos testes de avaliação de QI e de função executiva. Contudo, foi verificado que o consumo de níveis elevados de álcool estava associado com um menor tempo de atenção, por parte das crianças de cinco anos.

 

A capacidade de atenção foi apurada através da realização do Test of Everyday Attention for Children at Five (TEACh-5) o qual mede a atenção seletiva e sustentada das crianças. Os investigadores observaram que, em comparação com as crianças das mães abstémicas, não houve nenhum efeito significativo nos resultados dos testes realizados pelas crianças cujas mães consumiam até oito bebidas por semana. No entanto, houve uma associação significativa entre a consumo materno de nove ou mais bebidas por semana e o risco de uma menor pontuação nos testes de avaliação da atenção.

 

Os autores do estudo aconselham assim as mulheres grávidas a se absterem de consumir álcool durante a gravidez, mas referem que a ingestão de níveis baixos de bebidas alcoólicas não representa uma preocupação.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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