Gravidez: antibióticos aumentam risco de obesidade da criança

Estudo publicado no “International Journal of Obesity”

21 novembro 2014
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As crianças expostas a antibióticos durante o segundo e terceiro trimestre de gravidez apresentam um maior risco de obesidade aos sete anos. O estudo publicado no “International Journal of Obesity” também refere que as crianças nascidas por cesariana têm um maior risco de obesidade.

 

Os antibióticos afetam os microrganismos da mãe e podem entrar na circulação fetal através da placenta. A comunidade científica está a começar a perceber que as bactérias que normalmente habitam o cólon têm papéis importantes na manutenção da saúde e que os desequilíbrios das populações bacterianas podem causar várias doenças. Os distúrbios que ocorrem na transmissão de bactérias da mãe para o filho podem colocar a criança em risco de várias condições de saúde, incluindo a obesidade.

 

Para o estudo, os investigadores da Universidade de Columbia, nos EUA, contaram com a participação de 727 mulheres grávidas saudáveis e não fumadoras, 436 destas mulheres e os seus filhos foram acompanhados até estes perfazerem sete anos de idade. Dezasseis por cento destas 436 crianças tinha sido exposta a antibióticos no segundo e terceiro trimestre da gravidez.

 

O estudo apurou que a exposição a antibióticos durante este período de tempo conduzia a um aumento de 84% no risco de desenvolvimento de obesidade, comparativamente com as crianças que não tinham sido expostas estes fármacos.

 

Os investigadores referem que estes resultados necessitam de ser replicados, mas caso se mantenham, estes sugerem novos mecanismos através dos quais os progressos na infância são influenciados durante as primeiras fases de desenvolvimento. ”Os nossos resultados não devem desencorajar o uso de antibióticos em situações realmente necessárias, mas é importante reconhecer que este tipo de fármacos é atualmente excessivamente prescrito”, revela um dos autores do estudo, Noel Mueller.

 

Independentemente da exposição a antibióticos, verificou-se que os bebés nascidos por cesariana apresentavam um risco 46% maior de obesidade. Tal como a toma de antibióticos durante a gravidez, acredita-se que cesariana também reduza a transmissão das bactérias da mãe para o filho afetando consequentemente o equilíbrio bacteriano na criança.

 

Os investigadores concluem que são necessários mais estudos sobre o tipo de parto, uso de antibióticos durante a gravidez e outros fatores que possam afetar o ecossistema bacteriano presente no organismo.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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