Gravidez: álcool afeta QI da criança

Estudo publicado na revista “PLOS ONE”

16 novembro 2012
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O consumo de álcool, mesmo que moderado, durante a gravidez afeta o quociente intelectual (QI) da criança, sugere um estudo publicado na revista “PLOS ONE”.
 

Atualmente ainda existe alguma controvérsia no consumo de álcool durante a gravidez, enquanto alguns defendem uma completa abstinência outros afirmam que o consumo moderado é seguro.
 

Na verdade estudos anteriores originaram resultantes discrepantes no que que respeita ao efeito do consumo moderado de álcool no QI das crianças. Na opinião dos investigadores das universidades de Bristol e de Oxford, no Reino Unido, estas discrepâncias ocorreram porque é difícil separar o efeitos do álcool de outros fatores socias e estilo de vida. Os investigadores acrescentaram que muitos dos estudos observacionais realizados constaram que o consumo moderado de álcool era benéfico em comparação à abstenção. Contudo as grávidas que bebem com moderação têm tipicamente um nível de educação elevado, têm uma dieta saudável e habitualmente não fumam, sendo estes fatores associados a um maior QI e que mascaram algum tipo de efeito negativo do álcool.
 

Assim, neste estudo os investigadores decidiram utilizar variações genéticas para estudar o efeito que consumo moderado de álcool tinha durante a gravidez. Uma vez que as variações que as pessoas apresentam no seu ADN não são influenciadas pelo estilo de vida e fatores sociais, na opinião dos investigadores esta abordagem produz resultados mais confiáveis.
 

Os investigadores, liderados por Ron Gray, questionaram, às 18 e 32 semanas de gravidez, mais de 4.000 mulheres sobre a quantidade e frequência do consumo de álcool antes da gravidez, ao longo da gravidez e no momento em que sentiram pela primeira vez o bebé mexer. O QI das crianças foi avaliado aos oito anos de idade através da Wechsler Intelligence Scale for Children simplificada.
 

Os investigadores descobriram que quatro variações genéticas nos genes associados à metabolização do álcool presentes em 4.167 crianças estavam fortemente associadas com um menor QI, aos oito anos de idade. Por outro lado, não foi verificado nenhum efeito nas crianças cujas mães não tinham consumido álcool durante a gravidez, o que sugere que foi a exposição ao álcool a causadora das diferenças observadas no QI.
 

“Os nossos resultados sugerem que, mesmo em níveis de álcool considerados inofensivos, podem ser detetadas diferenças no QI das crianças, as quais são dependentes da capacidade do feto metabolizar o álcool. É assim evidente que mesmo a níveis moderados, o álcool influencia o desenvolvimento cerebral fetal”, conclui a primeira autora do estudo, Sarah Lewis.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.
 

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