Grávidas ressonam mais?

Estudo explica os porquês

09 janeiro 2003
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Muitas grávidas costumam ouvir queixas dos seus companheiros por ficarem com o sono mais irrequieto e passarem a ressonar mais alto. Segundo um estudo recente, as grávidas apresentam as vias aéreas superiores mais estreitas, facto que poderá explicar a razão dos roncos nocturnos.
 

 

A investigação envolveu 137 mulheres e foi realizada pelos médicos do Centro para o Sono de Edimburgo. Os cientistas descobriram que as vias aéreas superiores estreitam no terceiro trimestre da gravidez. E as grávidas, afectadas pela pré-eclâmpsia, complicação potencialmente fatal para mãe e filho, apresentam vias aéreas ainda mais apertadas.
 

 

Para a equipa, liderada por Neil Douglas, as mudanças nas vias aéreas superiores podem contribuir para o aumento da pressão sanguínea em pacientes afectadas pela pré-eclâmpsia. «Ressonar é comum durante a gestação, e as grávidas em que esta situação se apresenta têm taxas maiores de pré-eclâmpsia», observaram ainda os cientistas.
 

 

A pré-eclâmpsia afecta até cinco por cento das mulheres durante a primeira gravidez, sendo uma das principais causas de mortes da mãe e do feto. Os factores de risco incluem a idade, histórico anterior do distúrbio, diabetes e insuficiência renal.
 

 

As grávidas afectadas por esta doença podem apresentar uma tensão arterial perigosamente alta, bem como excretar proteínas através da urina.
 

 

Para analisar o significado do ronco no desenvolvimento da pré-eclâmpsia, os investigadores recrutaram 50 mulheres no terceiro trimestre de gravidez, 50 não-grávidas e 37 voluntárias que já manifestavam o problema.
 

 

Usando uma técnica, denominada reflexão acústica, os investigadores mediram as dimensões das vias respiratórias superiores de cada paciente. Os resultados demonstraram que as vias respiratórias se mostravam mais estreitas nas grávidas do que nas não-grávidas e ainda mais estreitas em vítimas da pré-eclâmpsia. Também verificaram que três em cada quatro mulheres afectadas pela doença ressonavam, comparadas com 28 por cento das grávidas e 14 por cento das não-grávidas.
 

 

«Essas mudanças poderiam contribuir para o aumento do ronco na gravidez e para episódios de resistência das vias aéreas superiores durante o sono na pré-eclâmpsia, facto que poderia aumentar ainda mais a tensão arterial», informaram ainda os investigadores.
 

 

Segundo Mike Rich, porta-voz do grupo Action on Preeclampsia, os resultados são interessantes, mas o ronco por si só não é a causa da pré-eclâmpsia. «A doença é causada por uma restrição no desenvolvimento das artérias e veias entre a placenta e o corpo da mãe. Isso acontece no primeiro trimestre da gravidez», disse Rich. Segundo o investigador, por si só, o ronco pode ter um impacto periférico, mas não provoca pré-eclâmpsia, porque ela já existe.
 

 

Traduzido e adaptado por:
 

Paula Pedro Martins
 

MNI-Médicos Na Internet
 

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