Governo Britânico e UE cometeram erros na gestão da crise das vacas loucas

Relatório da agência europeia do meio ambiente

13 janeiro 2002
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O Governo britânico e a União Europeia não deram ouvidos aos alertas dos cientistas e cometeram erros na gestão da crise das vacas loucas, conclui um relatório da Agência Europeia do Meio Ambiente ontem divulgado pelo jornal "El País".
 

 

O Reino Unido privilegiou os interesses dos criadores de gado em detrimento da protecção da saúde, enquanto a UE permitiu a entrada de carne britânica e o consumo de farinhas de origem animal, durante vários anos, refere aquele organismo.
 

 

Intitulado "Lições Tardias de Alertas Atempados: o princípio da cautela, 1896-2000", o relatório que acaba de ser publicado pela Agência Europeia do Meio Ambiente analisa aquilo que classifica como "má gestão" pública de várias situações de alertas sanitários na União Europeia. Mas o saldo mais dramático em número de vítimas mortais é atribuído ao uso de amianto na construção (entretanto proibido), que o organismo europeu estima poder vir a provocar perto de 400 mil mortes na União Europeia, até 2038. Uma crise que a agência considera ser mais grave e ter efeitos mais duradouros do que a das vacas loucas, até porque, desde os primeiros indícios de que poderia ter efeitos perversos até serem feitas as primeiras normas, passaram 33 anos.
 

 

Centenas de mortes
 

 

No que se refere à crise das vacas loucas, a tardia resposta do Reino Unido aos alertas dos cientistas provocou, entretanto, uma centena de mortes atribuídas à nova variante da doença transmitida aos humanos (a Creutzfeldt-Jakob) e perdas financeiras de vulto.
 

 

O primeiro caso conhecido de encefalopatia espongiforme bovina (BSE) no Reino Unido data de 1986 (até então, a doença apenas estava referenciada nas ovelhas). Dois anos depois, admitia-se oficialmente que a patologia podia passar aos humanos.
 

 

"Ainda que o Governo britânico assegure que foi prudente na protecção da saúde pública, na prática subordinou-a à protecção do mercado agrícola, tentando minimizar a intervenção estatal e o gasto público", lê-se nas conclusões do relatório da Agência Europeia do Meio Ambiente, que destaca o facto de o ministério britânico encarregado de gerir a crise das vacas loucas ser o da Agricultura e Pesca, o que explica a prevalência dos interesses dos criadores de gado.
 

 

Também a UE terá cometido erros nos primeiros anos, ao permitir a entrada de carne britânica no continente em grandes quantidades, depois de 1988, e só em 1994 proibir a utilização de farinhas de origem animal na alimentação das vacas.
 

 

Em todos os alertas sanitários, conclui o relatório, os poderes públicos tenderam a não dar ouvidos às primeiras chamadas de atenção e a considerar que não há riscos enquanto permanece a incerteza e não existem evidências científicas.
 

 

Fonte: Público

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