Governo britânico acusado de atrasar alerta sobre malefícios da aspirina
15 janeiro 2002
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Uma britânica iniciou ontem um processo de contra o governo inglês onde acusa o Secretário de Estado da Saúde e o Comitê Britânico para a Segurança de Medicamentos por terem atrasado a divulgação de alertas sobre os riscos da aspirina para a saúde, quando tomada por crianças pequenas.
 

 

Amanda Smith, tem hoje 22 anos, vive em Crowborough, em East Sussex, e desenvolveu Síndrome de Reye depois de tomar aquele analgésico quando ela contraiu varicela em 1986.
 

 

O Síndrome de Reye é uma doença muito rara e grave, que afeta normalmente as crianças com idades entre 4 e 12 anos e é mais frequente durante o Inverno, época do ano em que o número de doenças virais aumenta.
 

 

Trata-se de uma doença neurológica potencialmente fatal que provoca danos irreversíveis no cérebro e no fígado. Em resultado dos danos causados no fígado, ocorre a acumulação de amónia e outras substâncias que afectamo funcionamento do cérebro. Nestas condições podem ocorrer alterações do estado mental do indivíduo que pode manifestar-se por delírios, estupor (suspensão de toda a actividade física e psíquica) e coma.
 

 

Vários estudos epidemiológicos mostram que existe uma relação entre o desenvolvimento deste síndrome e o uso de medicamentos cujo princípio activo é o ácido acetilsalicílico – como a aspirina – ou outros medicamentos contendo salicilatos. Estes medicamentos são vulgarmente utilizados no tratamento de doenças virais como a varicela.
 

 

O advogado de Amanda Smith, lord Brennan, alegou ao Supremo Tribunal que alguns dias depois da jovem ter tomado aspirina a sua condição física piorou e dessa situação resultou que ela desenvolveu Síndrome de Reye.
 

 

Actualmente a jovem tem uma forma de quadriplegia espástica (paralisia nos quatro membros) e sofre de epilepsia. Os médicos pensam que a sua vida prolongar-se para além dos 40 anos, acrescentou Brennan nas suas alegações.
 

 

Na acusação, Brennan afirmou ainda que o juiz terá de decidir que o Secretário de Saúde da época tinha a função de alertar para o facto de que as crianças pequenas não deveriam tomar aspirina nem qualquer tipo de medicamentos deste grupo.
 

 

Segundo este advogado, Smith tomou aspirina em Maio de 1986, mas que o Comitê Britânico para a Segurança de Medicamentos já havia determinado em Março do mesmo ano que este medicamento poderia ser um factor favorecedor do desenvolvimento do síndrome de Reye.
 

 

Na acusação feita ontem, Brennan alegou que o Secretário de Estado da Saúde e o Comitê Britânico para a Segurança de Medicamentos foram responsáveis pelo atraso na divulgação do alerta público, que só foi publicado em junho daquele ano.
 

 

MNI – Médicos Na Internet

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