Gordura reciclada

Gordura proveniente de liposucção é uma “fonte de rejuvenescimento”

10 abril 2001
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Uma equipa de cientistas norte-americanos cultivou células ‘stem’ pluripotentes isoladas de gordura humana de forma a que elas se transformassem em tecido cartilagíneo, ósseo e muscular. O Dr. Marc Hendrick, cirurgião plástico e elemento da equipa, afirma ainda ser potencialmente possível transformar estas células em tecido nervoso.
 

 

Células ‘stem’ são células primordiais pluripotentes que se podem diferenciar numa variedade muito grande de tecidos, desde osso a músculos e nervos. A descoberta destas células foi um acontecimento excitante para a comunidade científica uma vez que se pode prever o seu uso na regeneração de tecidos e cura de muitas doenças, desde lesões da pele a problemas cardíacos ou doenças cerebrais como acidentes vasculares, adoença de Alzeihmer ou a doença de Parkinson. Investigadores propuseram até curar a diabetes cultivando células ‘stem’ de forma a que estas se possam diferenciar em células produtoras de insulina.
 

 

No entanto, obter células ‘stem’ é um complicado pela escassez destas e pela questões morais que se levantam já que a investigação inicial sobre estas células era feita em tecido embrionário e, em consequência, questionada por grupos anti-aborto, fundamentalmente. O próprio presidente George W. Bush se opôs a qualquer investigação sobre células ‘stem’ embrionárias.
 

 

Assim, a possibilidadede se poder obter células ‘stem’ a partir de gordura humana é entusiasmante. As células ‘stem’ podem também ser isoladas da espinal medula de adultos mas o processo de extracção levanta problemas que não ocorrem com o tecido gorduroso.
 

 

O artigo publicado na edição de Abril da revista Tissue Engineering afirma que cerca de 240 g de gordura humana produziram de 50 a 100 milhões de células tipo ‘stem’ indiferenciadas que têm o potencial de se diferenciarem em gordura, cartilagem, músculo ou osso e, porventura, em nervos.
 

 

A gordura usada pelos cientistas foi obtida por lipossucção. Isto torna este material numa fonte abundante, fácil de obter e barata de células ‘stem’. Com uma média de 600.000 liposucções por ano nos EUA, a confirmar-se o potencial previsto para as células ‘stem’ isoladas da gordura, esta será, sem dúvida, uma descoberta com interesse prático
 

 

Para já, os investigadores vão efectuar experiências de transplante de tecidos obtidos através destas células em animais. O uso em humanos pode ser conseguido até 2006.
 

 

Adaptado por
 

Helder Cunha Pereira
 

MNI – Médicos Na Internet
 

 

Fonte: Reuters e New Scientist

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