Gordura de rato transgénico faz bem ao coração

Investigadores estudam forma de produzir animais com gordura de peixe

09 fevereiro 2004
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Para muitos, as gorduras da carne são algo que os enoja, mas, ao contrário, muitos outros adoram aquelas gordurinhas que fazem tanto mal.  Para acabar com os problemas nutricionais e de consciência, um grupo de cientistas da Faculdade de Medicina de Harvard está a desenvolver um modo de transformar as gorduras em algo benéfico para o coração.  Por enquanto, os cientistas produziram ratos transgénicos com altas concentrações de ómega 3, um tipo de gordura normalmente presente nos peixes, que ajuda a prevenir os ataques cardíacos. Os animais receberam um gene do verme nematóide C. elegans, muito usado em experiências genéticas em laboratório. O gene em questão, chamado fat-1, codifica uma enzima responsável pela quebra de ómega 6 em ómega 3. Ambos são ácidos gordos poliinsaturados, mas os mamíferos, incluindo o homem, não conseguem fazer a conversão por conta própria. Por isso, precisam obter o ómega 3 por meio da alimentação. Hoje a principal fonte é a carne de peixe, mas, com a ajuda do gene nematóide, dizem os cientistas, outros animais poderiam também passar a produzir a molécula «naturalmente». «Além de apresentar uma oportunidade para investigar as funções dos ácidos gordos n-3 (ómega 3) no corpo, a nossa descoberta indica que essa tecnologia pode ser adaptada para enriquecer produtos animais como carne, leite e ovos com n-3», escrevem os cientistas, cujo trabalho foi recentemente publicado na revista Nature. Actualmente, os animais de criação são alimentados com ração de peixe para que obtenham a molécula, mas trata-se de um processo dispendioso. A equipa, coordenada pelo investigador Jing Kang, produziu quatro gerações de ratos geneticamente modificados com o fat-1. Em todas elas, os animais apresentaram concentrações elevadas de ómega 3, na comparação com ratos não transgénicos que receberam a mesma dieta. O ómega 3 é uma gordura de cadeia longa que favorece a formação de HDL, o chamado «colesterol bom», em lugar do LDL, «colesterol mau». Dessa forma, ajuda a evitar a formação de placas de gordura nas artérias coronárias e, consequentemente, ataques do coração. Traduzido e adaptado por:Paula Pedro MartinsJornalistaMNI-Médicos Na Internet

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