Gordura abdominal: porque é tão prejudicial?

Estudo publicado no “Journal of the American College of Cardiology”

29 setembro 2016
  |  Partilhar:

O aumento da gordura abdominal está associado a fatores de risco da doença cardíaca recém-identificados e que agravam a condição, sugere um estudo publicado no “Journal of the American College of Cardiology”.
 

Os investigadores do Instituto Nacional do Coração, Pulmão e Sangue, nos EUA, constataram que estas alterações adversas no risco cardiovascular foram evidentes num período relativamente curto de tempo e persistiram mesmo após terem sido consideradas alterações no índice de massa corporal (IMC) e perímetro da cintura, dois métodos habitualmente utilizados para estimar um peso saudável.
 

Estudos anteriores já tinham constatado que os indivíduos com excesso de gordura abdominal tendiam a apresentar riscos mais elevados de doença cardiovascular, comparativamente com aqueles com gordura acumulada noutras regiões do corpo.
 

Este estudo confirma que a acumulação de gordura no estômago é prejudicial e sugere que a densidade da gordura do estômago, medida através de TAC, influencia tanto o risco de doença cardíaca quanto a quantidade de gordura. Com base neste procedimento, os investigadores verificaram que quanto maior a quantidade de gordura menor a densidade desta.
 

Para o estudo, os investigadores, liderados por Caroline S. Fox, decidiram averiguar se havia uma relação entre as alterações de volume e densidade da gordura abdominal e alterações nos fatores de risco cardiovascular, ao longo dos seis anos do estudo.
 

O estudo envolveu a participação de 1.106 indivíduos com uma média de 45 anos, os quais foram submetidos a TAC para determinar a quantidade e localização da gordura abdominal acumulada. Foram medidas tanto a gordura adiposa subcutânea, ou seja, a gordura que se encontra logo abaixo da pele, como a gordura adiposa visceral, que está localizada na cavidade abdominal.
 

Ao longo do período de acompanhamento verificou-se que, em média, os participantes apresentaram um aumento de 22% e de 45 % na gordura adiposa subcutânea e na gordura adiposa visceral, respetivamente.
 

O estudo apurou que o aumento da quantidade de gordura e a diminuição da densidade desta estavam relacionados com as alterações adversas no risco de doença cardíaca. Cada meio quilo adicional ganho desde o início do estudo estava associado a níveis mais elevados de pressão arterial, triglicerídeos e síndrome metabólica.
 

Apesar de o aumento dos dois tipos de gordura estarem associados a novos e mais graves fatores de risco de doença cardiovascular, a relação foi mais pronunciada para a gordura da cavidade abdominal do que para a gordura subcutânea.
 

Os investigadores verificaram que os indivíduos com um maior aumento de gordura no interior da cavidade abdominal apresentaram aumentos consideráveis em fatores do risco metabólico, incluindo níveis levados de glucose, triglicerídeos e níveis baixos de colesterol HDL, o “bom” colesterol.
 

A investigadora refere que os níveis mais elevados de gordura subcutânea podem, de alguma forma, ter um efeito protetor, uma vez que podem funcionar como um reservatório metabólico para o armazenamento de um excesso de partículas de gordura. Por outro lado, a gordura da cavidade abdominal parece ser mais perigosa.
 

Estes resultados apoiam a ideia de que a identificação do local e tipo de depósitos de gordura pode fornecer uma informação importante sobre o risco de doença cardíaca que não é detetado através do IMC.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

Partilhar:
Ainda não foi classificado
Comentários 0 Comentar