Gordura abdominal em mulheres na pós-menopausa é um fator determinante do cancro

Estudo apresentado no Congresso ESMO 2017, em Madrid

13 setembro 2017
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A distribuição da gordura corporal no tronco é mais importante que o peso corporal no que diz respeito ao risco de cancro nas mulheres na pós-menopausa, de acordo com um estudo apresentado no Congresso ESMO 2017, em Madrid.
 
Os resultados fazem uma nova interpretação das prioridades de gestão do peso nas mulheres nesta faixa etária, que têm tendência para aumento da gordura abdominal, diz a investigadora do estudo Line Mærsk Staunstrup, estudante de doutoramento na Nordic Bioscience e ProScion, na Dinamarca.
 
“Ao calcular o risco de cancro, o índice de massa corporal (IMC) e a percentagem de gordura podem não ser medições adequadas, uma vez que elas não avaliam a distribuição da massa gorda”, explicou a investigadora. “Evitar a gordura na área abdominal pode conferir uma melhor proteção”. 
 
São estes os resultados do estudo Prospective Epidemiologic Risk Factor (Fator de Risco Epidemiológico Prospetivo), um estudo de coorte observacional e prospetivo concebido para se obter uma melhor compreensão das doenças relacionadas com a idade nas mulheres dinamarquesas na pós-menopausa. 
 
O estudo incluiu 5.855 mulheres (média de idade 71 anos) submetidas, no início do estudo, a densitometria óssea por absorção de raios-X de dupla energia (DEXA) para determinar a gordura corporal e a sua composição e que foram seguidas durante 12 anos. 
 
Recorrendo à informação dos registos de cancro nacional, o estudo registou 811 cancros sólidos nas mulheres e observou que a proporção de gordura abdominal em relação a gordura periférica era um preditor independente e significativo do diagnóstico de cancro até 12 anos depois do início do estudo (hazard ratio [HR] 1.30; 95%, CI: 1.11-1.52; p < 0.001). Pelo contrário, o IMC e a percentagem de gordura não demonstraram serem significativos. 
 
Mais especificamente, houve 293 cancros da mama e ovários, 345 cancros do pulmão e gastrointestinais (GI), e 173 outros cancros. Observando em detalhe cancros específicos e fatores de risco, os investigadores determinaram que só os cancros do pulmão e GI estavam associados a rácios elevados entre a gordura abdominal e a gordura periférica (HR: 1.68; 95%, CI: 1.12-2.53; p < 0.05 e HR: 1.34; 95%, CI: 1-1.8; p < 0.05, respetivamente).
 
Os fatores de risco adicionais eram a idade mais avançada, a terapia de substituição hormonal e o tabagismo.
 
“A mulher idosa pode muito bem usar esta informação, uma vez que se sabe que a transição para a menopausa inicia uma mudança na gordura em direção à área central do tronco. Assim, as mulheres idosas devem estar especialmente atentas ao seu estilo de vida quando chegam à pré-menopausa”, afirmou Mærsk Staunstrup. “Os médicos podem também usar esta informação para terem uma conversa preventiva com as mulheres que têm um maior risco de cancro. Apesar de os médicos terem acesso a scâneres corporais na maioria dos hospitais e já estarem disponíveis no mercado scâneres portáteis que permitem a avaliação da massa óssea e da composição da gordura corporal, eles podem, no entanto, não serem os mais fiáveis para a medição da gordura central”, concluiu a investigadora. 
 
Num comentário ao estudo, Andrea De Censi, médico no Hospital Galliera, em Itália, afirmou que este estudo é uma importante confirmação do papel da obesidade e principalmente da resistência à insulina na etiologia de vários cancros.
 
“Apesar de a obesidade já ter sido associada ao risco de cancro, a associação ao cancro do pulmão é nova e intrigante”, comentou o médico.
 
“O aumento da insulina, resultante de um consumo exagerado de carboidratos simples como as batatas, trigo, arroz e milho, traduz-se numa acumulação de gordura que é especificamente visceral e abdominal”, explicou De Censi. A insulina também tem efeitos negativos na produção hormonal, e as células adiposas nos tecidos gordos aumentam a inflamação crónica por todo o corpo, um outro fator de risco para vários cancros.  
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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