Gonorreia desenvolve resistência aos actuais tratamentos

Alerta da Agência de Protecção da Saúde

09 novembro 2011
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A Agência de Protecção da Saúde (HPA, na sigla inglesa), no Reino Unido, lançou um alerta junto dos médicos sobre a possível perda de eficácia dos antibióticos actualmente utilizados no tratamento da gonorreia devido ao desenvolvimento de grandes resistências a estes fármacos.

 

Segundo a agência, é possível que se esteja a caminhar para um ponto em que a gonorreia se tornará incurável, a menos que se encontrem novas formas de tratar esta doença de transmissão sexual.

 

Por agora, a HPA recomenda que os médicos deixem de utilizar o tratamento convencional, à base de cefixima, e comecem a recorrer a dois antibióticos mais potentes, um de toma oral e outro injectável. A agência sublinha que esta mudança é necessária devido ao aumento das resistências.

 

Os testes realizados com amostras retiradas de doentes e cultivadas em laboratório demonstraram uma redução na susceptibilidade ao antibiótico cefixima em 20% dos casos em 2010, em comparação com apenas 10% dos casos em 2009.

 

Em 2005, no Reino Unido, a bactéria que causa a gonorreia não apresentava susceptibilidade reduzida face à cefixima. Esta bactéria, a “Neisseria gonorrhoeae”, apresenta uma capacidade extraordinária de adaptação e desenvolvimento de resistências ou susceptibilidade reduzida face a uma crescente lista de antibióticos: primeiro a penicilina, depois as tetraciclinas e antimicrobianos como a ciprofloxacina e agora a cefixima.

 

A Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda que o antibiótico de primeira linha seja alterado quando a ineficácia do tratamento nos doentes atinja os 5%. De facto, no caso da cefixima, esta alteração é necessária devido ao alarmante aumento das resistências que se actualmente verifica.

 

Em declarações à BBC, a professora Cathy Ison, especialista em gonorreia da HPA, afirmou que “os testes em laboratório demonstraram uma redução dramática da sensibilidade ao fármaco que actualmente se utiliza como principal tratamento para a gonorreia”. “Esta é a primeira advertência real de que, no futuro, poderá aparecer uma gonorreia impossível de tratar”, adverte.

 

“Estávamos tão preocupados com os resultados a que assistíamos que recomendámos que as linhas de orientação de tratamento da gonorreia fossem revistas em Maio deste ano, para aconselharmos um fármaco mais eficaz”, assegura a especialista.

 

Apesar disso, sublinha Cathy Ison, “isto não vai resolver o problema, já que a experiência nos diz que vão aparecer também resistências às novas terapêuticas”. “Na ausência de um novo tratamento alternativo para quando isto acontecer, enfrentaremos uma situação em que a gonorreia não se poderá curar”, conclui.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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