Glutamato: uma fonte de energia para o cérebro

Estudo publicado na revista “Cell Reports”

07 outubro 2015
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O glutamato é um aminoácido com funções muito distintas que incluem a modulação das células beta pancreáticas, responsáveis pela produção de insulina, e no cérebro funciona como um dos principais neurotransmissores. Um novo estudo publicado na revista “Cell Reports” dá conta como o cérebro utiliza o glutamato para produzir energia e como este aminoácido tem ligações inesperadas com o restante organismo.
 
Ao contrário dos outros órgãos, o cérebro não é capaz de extrair energia dos lípidos. A barreira sangue-cérebro, que o protege de agentes patogénicos e das toxinas em circulação, limita a passagem destes lípidos. Adicionalmente, enquanto a maioria dos órgãos tem a capacidade de armazenar a glucose, aumentado a sua massa, o cérebro não pode variar em volume. Assim, como é incapaz de armazenar o seu alimento, depende do açúcar fornecido em tempo real pelo resto do organismo, sendo esta distribuição controlada pelo fígado.
 
Neste estudo, os investigadores da Universidade de Genebra, Suíça, decidiram averiguar se de facto o glutamato era uma fonte de energia para o cérebro, tendo começado por analisar o papel da enzima glutamato desidrogenase.
 
Na sua forma mutada, esta enzima é codificada pelo gene Glud1, que é responsável pelo hiperinsulinismo congénito, uma doença grave que afeta simultaneamente o pâncreas, o fígado e o cérebro. Os indivíduos afetados por esta condição sofrem de deficiência intelectual e têm um elevado risco de epilepsia.
 
Após terem suprimido o gene Glud1 no cérebro de ratinhos, os investigadores verificaram que o cérebro deixava de ser capaz de converter o glutamato em energia, apesar de o aminácido estar presente no cérebro.
 
Sem energia fornecida pelo glutamato, o cérebro envia sinais para o fígado de forma a receber uma porção de glucose, à custa do resto do organismo. Isto explica por que motivo os ratinhos transgénicos também apresentam um défice de crescimento e atrofia muscular. 
 
“Isto mostra claramente como o cérebro funciona de uma forma ajustada a cada momento e como cada percentagem de recursos de energia é essencial para o seu funcionamento. Se uma parte desta energia desaparece, o cérebro utiliza-a primeiro e o resto do corpo sofre. O fígado deve, então, produzir mais glucose, resultando em perda de massa muscular. Saber que o cérebro utiliza o glutamato como um recurso energético permite-nos refletir sobre outras formas de superar este potencial défice”, revelou, em comunicado de imprensa, um dos autores do estudo, Pierre Maechler.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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