Glucosamina mata células do pâncreas

Estudo publicado no “Journal of Endocrinology”

11 novembro 2010
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Altas doses ou o uso prolongado de glucosamina provoca a morte das células do pâncreas e pode aumentar o risco de desenvolver diabetes, refere um estudo publicado no “Journal of Endocrinology”.

 

Em testes in vitro, realizados por Frédéric Picard, da Université Laval, Canadá, foi verificado que a exposição de glucosamina provoca um aumento significativo da mortalidade das células do pâncreas produtoras de insulina, um fenómeno relacionado ao desenvolvimento da diabetes. A morte celular estava relacionada com o aumento da taxa de dose de glucosamina e com o tempo de exposição. "Nas nossas experiências, utilizámos doses, entre cinco a dez vezes maiores do que as recomendadas pela maioria dos fabricantes, ou seja 1.500 mg / dia", ressaltou o professor Picard, em comunicado enviado à imprensa.

 

Picard e sua equipa demonstraram que a glucosamina acciona um mecanismo destinado a reduzir os níveis elevados de açúcar no sangue. No entanto, essa reacção afecta negativamente a SIRT1, uma proteína essencial para a sobrevivência da célula. Uma alta concentração de glucosamina diminui o nível de SIRT1, levando à morte celular dos tecidos, onde essa proteína é abundante, como o pâncreas.

 

Segundo os investigadores, as pessoas que tomam grandes quantidades de glucosamina, ou por longos períodos, e os que têm níveis baixos de SIRT1, podem estar em maior risco de desenvolver diabetes. Em experiências com mamíferos, o nível de SIRT1 diminui com a idade. Este fenómeno não tem sido demonstrado em humanos, mas se fosse o caso, os idosos, que constituem o mercado-alvo da glucosamina ficariam ainda mais vulneráveis. "O ponto fundamental do nosso trabalho é que a glucosamina pode ter efeitos que estão longe de ser inofensivos e deve ser usado com muita cautela", concluiu o Professor Picard.

 

Os resultados agora divulgados coincidem com estudos recentes que lançam sérias dúvidas sobre a eficácia da glucosamina no tratamento de problemas articulares.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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