Glioblastoma: função imunológica alterada cinco anos antes do diagnóstico

Estudo na revista “PLOS ONE”

14 setembro 2015
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Investigadores americanos sugerem que podem ocorrer alterações na função imunológica cinco anos antes do diagnóstico de tumor cerebral, que tipicamente produz sintomas apenas três meses antes de ser detetado, conclui um estudo publicado na revista “PLOS ONE”.
 
Os glioblastomas representam os tumores cerebrais mais frequentes nos adultos. Este tipo de tumor pode ocorrer em qualquer idade, mas 70% dos casos sucedem em doentes com idades compreendidas entre os 45 e os 70 anos. Os pacientes que se submetem à cirurgia, radioterapia e quimioterapia sobrevivem, em média, cerca de um ano após o diagnóstico, com menos de um quarto dos pacientes a sobreviver até dois anos e menos 10% sobrevive até cinco anos.
 
Para o estudo os investigadores da Universidade Estatal de Ohio, nos EUA, analisaram um tipo de proteínas, as citoquinas, devido ao seu envolvimento na resposta imunológica às alergias que tem sido associado a um menor risco de glioma bem como à sua forma mais severa, o glioblastoma. Foram recolhidas amostras de sangue a 487 pacientes diagnosticados com gliomas (315 dos quais eram glioblastoma) e a 487 indivíduos saudáveis. Estas amostras foram colhidas 15 anos antes de os tumores terem sido diagnosticados.
 
Quando os investigadores analisaram as correlações entre as citoquinas em todas as amostras não foram encontradas diferenças entre os indivíduos que mais tarde desenvolveram o tumor e os indivíduos saudáveis. Contudo, quando reduziram para 55 as amostras retiradas no máximo cinco anos antes do diagnóstico de glioma ou glioblastoma, os investigadores verificaram que havia uma diminuição na interação entre as citoquinas naqueles que desenvolveram o tumor mais tarde. 
 
“As alterações que observámos na função imunológica sugerem que existem modificações localizadas muito antes do diagnóstico do tumor”, revelou, em comunicado de imprensa, uma das autoras do estudo, Judith Schwartzbaum.
 
Os investigadores descobriram uma outra relação com as citoquinas que sugere que as alergias protegem contra este tumor específico. Vinte anos antes do diagnóstico, a análise mostrou que níveis mais elevados da citoquina IL4, que é produzida em excesso em pessoas com alergias, estavam associados a uma redução do risco de desenvolver um glioma mais tarde na vida.
 
“Isto pode significar que esta interação entre citoquinas tem um efeito preventivo 20 anos antes de o tumor se desenvolver”, referiu a investigadora.
 
Estes resultados vão ao encontro dos achados obtidos anteriormente, sugerindo que as alergias diminuem de facto o risco de glioma. Uma vez que estes tumores influenciam o sistema imunológico, os investigadores ainda não têm certeza se as alergias reduzem o risco de cancro ou se, antes do diagnóstico, estes tumores interferem com a resposta imunitária de hipersensibilidade aos alérgenos.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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