Glioblastoma: como enfraquece a barreira sangue-cérebro?

Estudo publicado na revista “Nature Communication”

14 julho 2014
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A rápida disseminação do glioblastoma, o cancro cerebral mais comum e agressivo, pode ser causada pelo facto das células cancerígenas atacarem os vasos sanguíneos cerebrais, enfraquecendo a barreira sangue-cérebro. Estes resultados, publicados na revista “Nature Communication”, poderão conduzir ao desenvolvimento de novas formas de eliminar o tumor.  
 

O glioblastoma é um dos cancros mais devastadores. Estes tumores disseminam-se facilmente e são de difícil tratamento, pois o cérebro protege-os contra substâncias estranhas.
 

A barreira sangue-cérebro tem como objetivo proteger o cérebro de materiais prejudicais e regular o transporte de moléculas importantes de e para o cérebro. De forma a levar a cabo estas tarefas, a barreira tem junções “apertadas” que se comportam como um vedante entre as células endoteliais dos vasos sanguíneos. Os vasos sanguíneos cerebrais contêm também outros tipos de células, entre as quais os astrócitos, que têm projeções que cobrem cerca de 90% da superfície dos vasos. Estas projeções libertam moléculas que controlam as tais junções e outras que regulam o fluxo sanguíneo cerebral. No fundo, a barreira sangue-cérebro pode ser vista como um invólucro protetor que separa o sangue do cérebro.
 

Neste estudo, os investigadores da Universidade de Birmingham, no Reino Unido, decidiram analisar as interações entre as células do glioblastomas, astrócitos e vasos sanguíneos cerebrais, através da utilização de várias técnicas imagiológicas e marcadores fluorescentes.
 

O estudo apurou que a maioria das células do glioblastoma encontradas no exterior da massa tumoral estavam localizadas entre as projeções dos astrócitos e na superfície dos vasos sanguíneos. Foi apurado que as células cancerígenas eram capazes de migrar através de cérebro e extrair os nutrientes do sangue.
 

Os investigadores também verificaram que as células do glioblastoma “roubavam” o controlo que os astrócitos tinham sobre o fluxo sanguíneo, o que conduzia à perda das junções e à quebra da barreira.
 

De acordo com o líder do estudo, Harald Sontheimer, este modelo sugere que no início do desenvolvimento da doença, as células tumorais invasoras não estão completamente protegidas pela barreira sangue-cérebro e poderão ser mais vulneráveis à ação dos fármacos administrados via corrente sanguínea.

 

“Caso estes resultados se comprovem nos humanos, o tratamento com agentes anti-invasivos poderá beneficiar os pacientes recentemente diagnosticados com a doença”, conclui o investigador.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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