Glaucoma: um distúrbio neurológico?

Estudo publicado na revista “Ophthalmology”

13 março 2012
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O glaucoma deixou de ser caracterizado apenas como uma doença oftalmológica. Os especialistas consideram-no agora também um distúrbio neurológico que conduz à degeneração e morte das células nervosa no cérebro, semelhante ao que ocorre na doença de Parkinson e Alzheimer, revela um estudo de revisão publicado na revista “Ophthalmology”.

 

O glaucoma é a principal causa de cegueira irreversível em todo o mundo. Durante muitos anos, acreditou-se que os danos na visão dos pacientes com glaucoma eram causados por uma pressão interna ocular elevada, conhecida por pressão intra-ocular. Como resultado, a diminuição da pressão intra-ocular era o único objetivo dos investigadores que desenvolviam técnicas cirúrgicas e fármacos para o tratamento desta doença.

 

Hoje em dia a pressão intra-ocular não é o único parâmetro que um oftalmologista utiliza para fazer o diagnóstico do glaucoma, apesar de fazer parte das decisões de tratamento a adotar. Em todo o caso, os fármacos e as cirurgias para baixar a pressão intra-ocular ainda continuam a ser formas eficazes de proteger os olhos e a visão dos pacientes que sofrem desta doença.

 

Contudo, mesmo nos casos em que a cirurgia ou medicação diminuíram eficazmente a pressão intra-ocular, alguns pacientes continuaram a reportar perda de visão. Esta e outras razões fizeram com que os especialistas deixassem de se centrar exclusivamente na pressão intra-ocular comoúnica causa do aparecimento do glaucoma.

 

Os investigadores focaram-se assim nos danos que ocorriam num tipo de células nervosa conhecidas por células ganglionares da retina, que são vitais para a visão e que ligam o olho ao cérebro através do nervo ótico.

 

Os tratamentos que tem por alvo estas células e que se encontram agora em ensaio clínicos incluem: fármacos que aumentam a sobrevivência e os fatores de crescimento das células ganglionares da retina; fármacos utilizados no tratamento dos acidentes vasculares cerebrais e doença de Alzheimer e estimulação elétrica destas células.

 

“À medida que os investigadores começam a focar a sua atenção nos mecanismos que causam a degeneração das células ganglionares da retina, estão a encontrar formas de proteger e aumentar e até regenerar estas células vitais” revelou, em comunicado de imprensa o líder desta publicação, Jeffrey L Goldberg. “Conhecer a forma de prevenir os danos e melhorar a função destes neurónios pode conduzir a melhores tratamentos para o glaucoma e para outras doenças degenerativas oculares”, acrescentou.

 

Caso este tipo de investigação tenha sucesso os tratamentos do glaucoma poderão não só impedir a perda da visão como ainda permitir a sua  recuperação. Os cientistas também esperam que os estudos das células ganglionares da retina ajudem a determinar que fatores tornam as pessoas mais vulneráveis a esta doença.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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