Glaucoma responsável por 13% dos casos de cegueira
07 dezembro 2001
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O glaucoma é uma doença ocular crónica que se não for detectada conduz à cegueira. Em Portugal, afecta entre 200 a 400 mil indivíduos contudo, cerca de metade dos indivíduos que sofrem de glaucoma não o sabem. Responsável por 13 por cento de todos os casos de cegueira, “é uma doença com um impacto socio-económico importante, e um grave problema de saúde pública, uma vez que interfere com a qualidade de vida do doente”.
 

 

Lisboa, 6 de Dezembro - Calcula-se que 200 a 400 mil portugueses sofrem de glaucoma, uma doença de foro ocular, que se não for detectada precocemente conduz à cegueira. Actualmente, é responsável por 13 por cento de todos os casos de cegueira e reveste-se de particular gravidade, uma vez que cerca de metade dos indivíduos que desenvolvem glaucoma, não sabem que o têm.
 

 

“O glaucoma não tratado conduz sempre à cegueira, contudo é algo que o indivíduo não tem percepção, uma vez que a doença se instala anos antes dos primeiros sintomas, ao mesmo tempo que tem uma evolução muito lenta”, explica o director do Departamento de Oftalmologia da Faculdade de Medicina do Porto, Falcão Reis, sublinhando que “quem não vai ao oftalmologista nos últimos cinco anos tem maior risco de desenvolver a patologia, do que um doente que consulta o médico por rotina”.
 

 

De acordo com o especialista, o glaucoma é uma doença com carácter progressivo, que não provoca dor e alterações da visão e que cursa durante anos sem qualquer tipo de sintomas, revelando-se por isso um “grande problema de saúde pública”.
 

 

Patologia crónica, que afecta o nervo que transporta a imagem da retina para o cérebro (elemento essencial à visão), é provocada pela hipertensão ocular, e tem um início assintomático. O glaucoma pode causar lesões irreversíveis no nervo óptico e conduzir a médio ou longo prazo à consequente cegueira. Para evitar este prognóstico, são necessários um diagnóstico e tratamento precoces.
 

 

“A maior parte dos indivíduos quando descobre que sofre de glaucoma, já apresenta um estado muito avançado da patologia”, esclarece Falcão Reis, avançando: “quem faz o diagnóstico aos 35 anos tem menos probabilidades de cegar, do que se tiver contacto com a patologia pela primeira vez, aos 60 ou 70 anos”.
 

 

Esta doença, que tem um foro hereditário, afecta indivíduos de todas as idades, mas principalmente os mais idosos, surgindo no adulto a partir dos 40 anos, em que o número de casos atinge os sete por cento. Por isso, tem um impacto socio-económico importante, uma vez que interfere com a qualidade de vida do doente. Contudo, os avanços no diagnóstico precoce e terapêuticas actuais permitem que a maior parte dos doentes mantenha uma visão útil ao longo das suas vidas.
 

 

“Actualmente, espera-se que novos medicamentos chamados de neuro-protectores (ainda não disponíveis no mercado português), desempenhem uma acção fundamental, já que actuam evitando a atrofia das células nervosas ou conduzindo a uma regeneração das células que já sofreram danos”, revela o oftalmologista.
 

 

Segundo Falcão Reis, a melhoria das condições de assistência e capacidade de diagnóstico vão permitir um aumento de número de casos identificados e conduzir a um tratamento mais eficaz. “A grande tarefa para o futuro é tentar identificar o elevado número de indivíduos que tem a doença, mas não o sabem”, frisa.
 

 

 

Fonte: Lusa
 

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