Gestão de stress pode melhorar vida de pacientes com cancro da mama

Estudo publicado na revista em linha “Cancer”

25 março 2015
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Um novo estudo revela que técnicas de gestão de stress podem melhorar o humor e a qualidade de vida de mulheres com cancro da mama durante vários anos.
 
No virar do século, 240 mulheres recentemente diagnosticadas com cancro da mama participaram num ensaio aleatorizado para avaliar os efeitos de técnicas de gestão de stress desenvolvidas pela Universidade de Miami. Os resultados do estudo revelaram que as pacientes que participaram num grupo de apoio onde aprenderam técnicas para relaxar e lidar com problemas, ao longo de 10 semanas, apresentaram melhor qualidade de vida e menos sintomas depressivos durante o primeiro ano de tratamento do que aquelas que participaram numa sessão sobre educação para o cancro da mama durante apenas um dia.
 
No último acompanhamento realizado ao grupo de sobreviventes, os investigadores descobriram que as mulheres que tinham recebido formação para a gestão de stress continuavam a apresentar menos sintomas depressivos e melhor qualidade de vida, mesmo após 15 anos.
 
De acordo com Jamie Stagl, autor principal do estudo, e atualmente no Hospital Geral de Massachussetts, em Boston, EUA, “as mulheres com cancro da mama que participaram no estudo utilizaram inicialmente técnicas de gestão de stress para lidar com os desafios dos primeiros tratamentos e diminuir o sofrimento”. No entanto, estas técnicas dotaram também as mulheres de “ferramentas para lidar com medos relacionados com a recorrência e progressão da doença”. Como tal, os resultados desta última avaliação parecem indicar que “estas competências podem ser utilizadas para diminuir o sofrimento e o humor depressivo, assim como otimizar a qualidade de vida durante o período de sobrevivência, à medida que as mulheres prosseguem a sua vida”, afirmou o investigador. 
 
Stagl revela ainda que os níveis de depressão e qualidade de vida indicados por estas pacientes ao fim de 15 anos eram semelhante aos reportados por mulheres sem cancro da mama.
 
Segundo os investigadores, a questão da manutenção da saúde psicossocial tem-se tornado cada vez mais relevante com o aumento da taxa de sobrevivência do cancro da mama. Os achados deste estudo dão força à possibilidade de as pacientes deste tipo de cancro receberem formação em técnicas de gestão de stress durante as primeiras fases dos tratamentos de forma a ajudá-las a manter a saúde psicossocial a longo prazo.
 
Tendo em conta que os estados depressivos têm sido associados a processos neuroendócrinos e inflamatórios que podem influenciar a progressão do cancro, os cientistas pretendem continuar a avaliar os efeitos da gestão do stress na depressão e em biomarcadores de inflamação, por um lado, e na recorrência da doença e na taxa de sobrevivência.    
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
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