Gerador de nanopartículas pode transformar tratamento do cancro

Estudo publicado na revista “Nature Biotechnology”

17 março 2016
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Investigadores americanos desenvolveram o primeiro fármaco que eliminou com sucesso as metástases pulmonares em ratinhos, um achado que pode revolucionar o tratamento do cancro da mama triplo negativo, dá conta um estudo publicado na revista “Nature Biotechnology”.
 
A maioria das mortes por cancro são causadas pelas metástases do pulmão e fígado, mas atualmente ainda não há cura. Os fármacos contra o cancro fornecem um benefício limitado devido à sua incapacidade de ultrapassar as barreiras biológicas no organismo e atingir as células cancerígenas em concentrações suficientes.
 
Neste estudo, os investigadores do Instituto de Investigação Metodista de Houston, nos EUA, resolveram este problema através do desenvolvimento de um fármaco que produz nanopartículas dentro das metástases pulmonares em ratinhos.
 
O estudo apurou que 50% dos animais tratados com o fármaco não apresentavam metástases após oito meses, o equivalente a cerca de 24 meses de sobrevivência após uma doença metastática nos seres humanos.
 
Devido aos próprios mecanismos de defesa do organismo, a maioria dos fármacos anticancerígenos são absorvidos no tecido saudável, causando efeitos secundários negativos. Adicionalmente apenas uma pequena fração do fármaco atinge o tumor, tornando-se, portanto, menos eficaz.
 
Contudo, esta nova estratégia de tratamento permite a passagem sequencial das barreiras biológicas para transportar o agente de tratamento para o centro do cancro. O fármaco ativo apenas é libertado no interior do núcleo da célula da doença metastática, evitando o mecanismo de resistência a múltiplos fármacos das células cancerígenas. Esta estratégia mata eficazmente o tumor e proporciona um benefício terapêutico significativo em todos os ratinhos, incluindo uma sobrevivência prolongada em metade dos animais.
 
No estudo, os investigadores, liderados por Mauro Ferrari, descrevem a ação do gerador de nanopartículas injetáveis (INPG, sigla em inglês) e como um complexo método de transporte de uma versão nano de um agente quimioterápico conduziu a resultados nunca alcançados.
 
“Inventámos um método que, na verdade, produz nanopartículas no interior do cancro e que liberta o fármaco no núcleo celular. Com este gerador de nanopartículas injetável fomos capazes de fazer o que a quimioterapia, vacinas, a radiação e outras nanopartículas nunca conseguiram fazer", referiu o investigador.
 
Os investigadores utilizaram a doxorrubicina, um agente quimioterápico que é utilizado há décadas, mas que tem efeitos colaterais adversos para o coração e não é um tratamento eficaz contra a doença metastática. Neste estudo, a doxorrubicina foi empacotada no interior do gerador de nanopartículas injetável, que é constituído por diversos componentes.
 
O primeiro componente é o material de silicone nanoporoso que se degrada naturalmente no organismo. O segundo é um polímero constituído por cadeias múltiplas que contêm a doxorrubicina. Uma vez no interior do tumor, o silicone degrada-se, libertando as cadeias. Devido às forças naturais termodinâmicas, as cadeias enrolam-se e formam nanopartículas que são absorvidas pelas células cancerígenas. Uma vez dentro das células cancerígenas, o pH ácido perto do núcleo faz com que o fármaco seja libertado das nanopartículas. No interior do núcleo, o fármaco mata a célula.
 
Os investigadores esperam que este novo fármaco ajude os médicos a tratarem as metástases dos pulmões de outras origens, assim como o cancro do pulmão primário.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
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