Genoma: O «livro de instruções do Homem» permanece na língua dos cientistas
12 fevereiro 2002
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Entre metáforas e promessas, duas equipas de cientistas anunciaram há um ano a sequenciação do genoma humano, um feito na altura comparado com a chegada do Homem à Lua, mas que tarda em beneficiar a humanidade.
 

 

Se é verdade que hoje, ao contrário das previsões de há 30 anos, a Lua ainda não faz parte dos destinos turísticos do cidadão comum, também o anúncio de 12 de Fevereiro de 2001 não trouxe, por enquanto, a cura para doenças como a diabetes, Alzheimer ou cancro nem explicou porque razão alguns indivíduos são mais violentos e outros mais ternos.
 

 

"Grande livro da vida", "chave dos mistérios do Homem" foram algumas das imagens a que cientistas e jornalistas recorreram para fazer passar a mensagem de que tinham sido decifrados os três mil milhões de pares de bases que compõem o ADN (ácido desoxirribonucleico) do Homem.
 

 

Segundo o geneticista Carolino Monteiro, um ano depois, "existem seguramente razões para festejar a data".
 

 

"O anúncio da sequenciação do genoma humano marcou o início do desenvolvimento de novas linhas de investigação na área da genética", explicou o cientista do Instituto de Higiene e Medicina Tropical (IHMT), em declarações à Agência Lusa.
 

 

Segundo o investigador, esse momento marcou o fim de uma fase dedicada à leitura dos genes e o início de um outro caminho muito mais interessante, o da sua compreensão.
 

 

"Ainda não se compreendeu muito", reconheceu, contudo, o cientista.
 

 

Na altura do anúncio, os cientistas envolvidos directamente no trabalho de sequenciação reconheceram que o verdadeiro conhecimento biológico do Homem viria, não da compreensão da função isolada dos genes, mas do modo como estes operam em conjunto e da forma como a sua actividade é regulada pelas proteínas.
 

 

Muitos cientistas afirmam mesmo que o anúncio de Fevereiro de 2001 marcou o princípio do fim da era da genómica (estudo dos genes) e o arranque da proteómica (referente às proteínas).
 

 

"A sequenciação do genoma humano não foi o fim de um caminho mas uma ferramenta de trabalho que está a ser utilizada para a procura de respostas às inúmeras perguntas que os cientistas colocam nesta área", explicou o investigador do IHMT.
 

 

Menos optimista, outro cientista contactado pela Agência Lusa, José Rueff, recorda a data como "um acto de manifestação exterior", ou seja, apenas um momento escolhido para assinalar um longo e árduo trabalho desenvolvido ao longo de pelo menos um quarto de século.
 

 

"Escolher o dia 12 de Fevereiro para anunciar ao mundo um trabalho de décadas foi como determinar, arbitrariamente, a data de aniversário de uma criança adoptada que não se sabe quando nasceu", disse o director do Departamento de Genética da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nova de Lisboa (FCM/UNL).
 

 

O investigador recordou o clima de optimismo que rodeou o anúncio, inserido numa época em que o nome Bin Laden era uma referência remota para a maioria da população mundial e em que as Torres Gémeas ainda cortavam a linha do horizonte de Manhattan.
 

 

"Viveu-se um clima de euforia a que não foram alheios os interesses económicos das empresas directamente e indirectamente envolvidas", sublinhou.
 

 

O anúncio foi protagonizado em simultâneo por um consórcio público reunindo investigadores de seis países e pela equipa da empresa privada Celera Genomics, mas foram muitas as companhias da área farmacêutica e biotecnológica a beneficiarem em bolsa deste acontecimento.
 

 

Apesar de denunciar os exageros dos vários actores envolvidos, comunicação social incluída, José Rueff considera que de há um ano para cá surgiram "centenas de pequenos avanços", apenas nenhum deles suficientemente importante para, por si só, ganhar uma dimensão mediática.
 

 

Contudo, o que o investigador mais lamenta em todo este processo foram as expectativas geradas junto de alguns doentes.
 

 

"Foi muito difícil explicar às pessoas que aquele anúncio não iria acelerar a sua cura nem melhorar a sua qualidade de vida", sublinhou.
 

 

Apesar do trabalho hercúleo que ainda falta fazer, Carolino Monteiro realçou as alterações que o anúncio de 12 de Fevereiro de 2001 já provocou no seu trabalho quotidiano.
 

 

"No IHMT colocamos a hipótese de determinados genes estarem associados a certas doenças. O facto de a informação ter sido coligida e estar disponível através da Internet permite-nos poupar muito trabalho", explicou.
 

 

No dia do anúncio, o co-autor do relatório elaborado pelo consórcio público, Francis Collins, já tinha avançado nesse sentido.
 

 

Segundo Collins, foi necessária uma década para os cientistas isolarem o gene que, quando defeituoso, causa a fibrose quística.
 

 

Depois do anúncio, uma investigação semelhante poderia ser efectuada por um recém-licenciado em apenas duas semanas.
 

 

O desenvolvimento de medicamentos personalizados, ou seja, adaptados ao genotipo de cada indivíduo, será uma das primeiras grandes aplicações práticas da sequenciação do genoma, considera Carolino Monteiro.
 

 

No entanto, será preciso esperar entre cinco anos a uma década até que avanços como este passem a fazer parte da rotina dos cidadãos.
 

 

Ou seja, hoje como há um ano, a maior certeza dos investigadores é que quando os cientistas do futuro olharem para os relatórios publicados em 2001 verão documentada a ignorância do pouco que se sabia sobre as letras genéticas que constituem o texto original que é o Homem.
 

 

Fonte: Lusa

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Comentários 3 Comentar

Genoma

Pelo próprio Genoma, nós vemos que por trás disso tudo existe um codificador!!!
E esse codificador (arquiteto, progetista) é "DEUS".

Genoma

Pelo próprio Genoma, nós vemos que por trás disso tudo existe um codificador!!!
E esse codificador (arquiteto, progetista) é "DEUS".

Genoma

Pelo próprio Genoma, nós vemos que por trás disso tudo existe um codificador!!!
E esse codificador (arquiteto, progetista) é "DEUS".

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