Genoma humano contém ADN de hélice quádrupla

Estudo publicado na revista “Nature Chemistry”

23 janeiro 2013
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Sessenta anos após os investigadores James Watson e Francis Crick terem descoberto o ADN de dupla hélice, uma equipa de cientistas da mesma universidade constatou que o genoma humano contém também ADN de hélice quádrupla, dá conta o estudo publicado na revista “Nature Chemistry”.
 

A descoberta destas estruturas denominadas por quadruplexos-G, por se formarem em regiões do genoma ricas em guanina, é o culminar de 10 anos de investigação. Os investigadores da University of Cambridge, no Reino Unido, começaram por utilizar modelos computacionais hipotéticos de ADN com quatro cadeias moleculares, posteriormente produziram versões sintéticas destas estruturas, até que conseguiram realmente provar que estas estruturas existiam nas células cancerígenas humanas.
 

Na verdade foi constatado que este ADN de hélice quádrupla se encontra com mais frequência nos genes que se dividem mais rapidamente, como ocorre nas células cancerígenas. Assim, na opinião do líder do estudo, Shankar Balasubramanian, este tipo de estrutura poderá ser a chave para o desenvolvimento de novas formas de inibir seletivamente a proliferação destas células.
 

De forma a tentar detetar os quadruplexos-G nas células, foram produzidos anticorpos fluorescentes capazes de se ligar a estas estruturas. Através da associação de moléculas fluorescentes aos anticorpos foi também possível identificar em que locais do genoma e em que fase da divisão celular estas estruturas se encontravam.
 

O estudo apurou que apesar do ADN de hélice quádrupla estar presente em todas as células bem como em todos ciclos de divisão celular, estas estruturas se encontram-se mais concentradas numa altura específica do ciclo celular. Este aumento ocorre mesmo antes das células se dividirem, quando o ADN é replicado.
 

Os investigadores explicam que esta descoberta é um grande passo, no que diz respeito à investigação do cancro. Na verdade, uma das principais características dos oncogenes, grupos de genes envolvidos no desenvolvimento do cancro, é a sua capacidade de mutar e de aumentar a replicação do ADN, a qual conduz à proliferação celular descontrolada e ao crescimento tumoral. O aumento da taxa de replicação do ADN nos oncogenes conduz a uma maior concentração destas estruturas, o que significa que talvez os danos celulares possam ser combatidos através da utilização de moléculas sintéticas ou outras formas de tratamento.
 

“Através da utilização de moléculas sintéticas fomos capazes de aprisionar e de estabilizar o ADN de hélice quádrupla, fornecendo deste modo informações importantes sobre como poderemos parar a divisão celular”, revelou, em comunicado de imprensa, Shankar Balasubramanian.
 

“Esta investigação evidencia a possibilidade de explorar estas estruturas invulgares de ADN para vencer o cancro. “A próxima etapa vai consistir em encontrar formas de atuar nestas estruturas nas células tumorais”, conclui a porta-voz do Cancer Research UK, Julie Sharp.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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