Genoma humano: afinal todo o ADN é importante

Estudo publicado no “Journal of Biological Chemistry”

10 setembro 2012
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Uma vasta equipa de investigadores internacionais, que constitui o projeto ENCODE (Encyclopedia of DNA Elements), realizou a mais detalhada análise do genoma humano até à data. Estes resultados são o fruto do trabalho realizado ao longo de cinco anos por 442 cientistas, incluindo portugueses, e foi publicado em dezenas de revistas científicas, tendo o “Journal of Biological Chemistry” compilado os achados mais relevantes.
 

“O projeto ENCODE não só gerou uma quantidade enorme de informação sobre o nosso genoma, como também analisou muitas questões associadas às funções do genoma nos diferentes tipos de células. Os resultados agora publicados explicam a forma como a maquinaria molecular interage uma com a outra e atua no ADN de forma a produzir proteínas e ARN necessário para que as células funcionem corretamente”, revelou em comunicado de imprensa, um dos autores do estudo, Ross Hardison.
 

Os investigadores explicam que o genoma humano é constituído por cerca de 3 mil milhões de pares de bases, mas apenas uma pequena percentagem do ADN codifica na verdade proteínas. O papel e o funcionamento da restante informação genética permaneciam ainda desconhecidos, sendo habitualmente referidos como “lixo”.

Contudo, os resultados obtidos pelo projeto ENCODE revelaram que mais de 80% do genoma humano, que se pensava não ser importante, está na realidade envolvido no controlo da síntese proteica.
 

Os investigadores constataram que o ADN não codificante está repleto de “interruptores” que regulam a ativação ou desativação de genes, ditando quando, onde e em que quantidades é que estes devem sintetizar as proteínas.
 

“O conhecimento obtido através do projeto ENCODE poderá ter um impacto positivo na ciência médica”, disse o investigador. Por exemplo, muitos dos estudos genéticos recentes têm descoberto várias localizações no genoma que afetam a suscetibilidade das pessoas a determinadas doenças. Os dados obtidos através do ENCODE mostram que muitas destas regiões estão envolvidas na regulação de genes e como as variações destas regiões podem afetar a suscetibilidade para as doenças, acrescentou o investigar.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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