Genética: Investigadores japoneses sonham recriar mamutes na Sibéria

Sonho cada vez mais próximo da realidade

30 agosto 2002
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Cientistas japoneses financiados por capitais privados planeiam recriar mamutes na Sibéria, projectando algo semelhante a um parque onde esperam poder vir a exibir um híbrido genético do mamífero extinto.
 

 

Há anos que os investigadores conduzem escavações na esperança de encontrar um espécime congelado na tundra siberiana suficientemente bem conservado para que o seu esperma possa ser utilizado para inseminar um elefante fêmea.
 

 

"Se tudo correr bem e tivermos bebés mamutes não queremos mantê-los num jardim zoológico", disse Shoji Okutsu, um perito veterinário na Universidade de Kagoshima.
 

 

"Queremos que eles vivam num ambiente o mais próximo possível daquele em que os seus ancestrais viviam", acrescentou.
 

 

Existe contudo um grande "senão" neste projecto, já que até agora não foi encontrado nenhum esperma e não existem garantias de que algum dia isso aconteça.
 

 

Mesmo assim, o Projecto para a Criação de Mamutes ganhou em 1996 permissão da região russa de Sakha para usar uma área reservada de 160 quilómetros quadrados próxima de Duvannyi Yar, na Sibéria, caso os trabalhos fossem bem sucedidos.
 

 

No entanto, o santuário não deverá ser uma grande atracção turística, uma vez que a reserva siberiana é actualmente apenas acessível através de helicóptero e não está aberta ao público.
 

 

Mas tigres, grandes veados, alces e outros animais siberianos que se acredita terem coexistido com os mamutes vivem ali, disse o presidente da Sociedade para a Criação de Mamutes, Kazutozhi Kobayashi.
 

 

Kobayashi é o presidente da Field, uma empresa de patentes de tecnologia que financiou em centenas de milhares de euros o projecto ao longo dos últimos seis anos.
 

 

Até agora, peritos em veterinária da Universidade japonesa de Kagoshima, juntamente com geneticistas da Universidade de Kinki, concentraram as suas pesquisas apenas ao longo do rio Kolimaya, na região ocidental da Sibéria.
 

 

Nas buscas encontraram fósseis de mamutes, incluindo pernas, enterrados sob o gelo, mas o ADN dos animais revelou-se danificado com o passar do tempo e com as alterações climatéricas, encontrando-se inutilizado.
 

 

Mas a Sociedade não desistiu e mandou uma equipa de investigadores para a área no ano passado, planeando fazer o mesmo no próximo Verão, disse Kobayashi.
 

 

Segundo explicou, a razão porque os cientistas não foram este mês (Agosto é a melhor altura por causa das condições meteorológicas) é porque ainda estão a estudar os dados coligidos durante a sua última viagem.
 

 

No entanto, mesmo que os mamutes possam ser reproduzidos, alguns peritos duvidam da viabilidade do projecto.
 

 

Para Mitsuko Masui, director do jardim zoológico de Yokohama, perto de Tóquio, o simples facto de manter os mamutes vivos é um novo desafio uma vez que se sabe tão pouco sobre os animais.
 

 

"Não se pode recriar o ambiente em que os mamutes viveram.
 

 

Será que um mamute pode sobreviver no ambiente dos dias de hoje?", questionou Masui.
 

 

"Penso que eles ainda não pensaram bem no assunto", acrescentou.
 

 

Estabelecer uma população para reprodução poderá ser ainda mais difícil, acrescentou, citando problemas que os tratadores dos jardins zoológicos enfrentam já com algumas espécies não extintas, como os pandas.
 

 

Os investigadores admitem que têm ainda um longo caminho a percorrer, com a falta de esperma a constituir o maior obstáculo até agora.
 

 

Mas dizem que a sua ideia é bastante honesta: usando o ADN de esperma congelado para inseminar um elefante poderiam produzir descendentes meio-elefante, meio-mamute.
 

 

Ao longo de várias gerações, uma criatura geneticamente próxima da original poderia ser criada.
 

 

"Algumas pessoas podem questionar a ética do que estamos a tentar fazer, mas tudo o que queremos é tornar o nosso sonho real", disse Kobayashi.
 

 

Fonte: Lusa

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