Genética: Celera deixa o genoma e avança para os medicamentos
16 junho 2002
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A Celera, famosa por ter sido uma das duas empresas que sequenciaram o genoma humano, vai mudar o rumo da sua actividade científica: passará a investir no desenvolvimento de medicamentos. A decisão foi anunciada na terça-feira, mas curiosamente a notícia teve poucas repercussões nas agências de noticiosas internacionais. O efeito imediato desta mudança de objectivos será o despedimento de 132 funcionários, cerca de 16 por cento da força de trabalho da empresa, segundo um comunicado da companhia.
 

 

A medida surge poucos meses depois de o geneticista Craig Venter se ter demitido da companhia. Venter não só fundou a norte-americana Celera em 1998, como é considerado o grande nome da biotecnologia mundial, depois de ter desenvolvido uma forma de sequenciação de genes mais rápida do que as existentes até então.
 

 

O método de Venter levou a que a empresa privada decifrasse o genoma mais depressa do que o Projecto Genoma Humano (PGH), consórcio público internacional formado por centros de pesquisa nos EUA e na Grã-Bretanha.
 

 

Craig Venter pretendia vender os resultados do genoma a companhias farmacêuticas, que a partir dos dados poderiam desenvolver medicamentos para tratar de múltiplas doenças ainda sem uma terapêutica eficaz, como o cancro ou a doença de Parkinson.
 

 

Mas o PGH apressou-se e conseguiu sequenciar o genoma a tempo de divulgá-lo juntamente com a Celera, em Fevereiro de 2001. O projecto público resolveu publicar, de graça, todos os dados, retirando à Celera a capacidade de obter lucros com a venda do código genético humano.
 

 

Segundo a BBC on-line do Brasil, e citando um porta-voz, a Celera não mudou de rumo devido a este fracasso. "Ainda temos 20 assinantes, comerciais e não comerciais. Mas não queremos agora discutir os lucros relacionados com o genoma. Vamos investir em medicamentos", sintetizou Rob Bennett.
 

 

A partir de agora a Celera vai investigar genes associados a doenças específicas como a osteoporose, artrite e cancro, mas apesar de ser um mercado bastante lucrativo, Rob Bennett fez questão de sublinhar de demorarão ainda anos para que surjam resultados concretos.
 

 

Veja mais em: Diário de Notícias
 

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