Genética: Brasileiros são irmãos, cabo-verdianos e são-tomenses parentes
12 agosto 2000
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Os 500 anos de colonialismo português deixaram marcas genéticas muito vincadas nas populações brasileiras, de Cabo Verde e São Tomé e Príncipe, mas nulas nos restantes países africanos lusófonos.
 

 

Estas conclusões resultam de uma investigação que há cinco anos Francisco Corte Real vem desenvolvendo, e que lhe permitiu elaborar a tese com que recentemente se doutorou em medicina na Universidade de Coimbra.
 

 

O autor, que este mês foi empossado vice-presidente do Instituto Nacional de Medicina Legal (INML), chegou à conclusão que no Amazonas e S. Paulo, os dois Estados brasileiros que já estudou, há uma grande proximidade genética, pelas grandes semelhanças nas frequências génicas com a população de Portugal.
 

 

Mas não são apenas os brasileiros que tem uma grande afinidade genética com os lusitanos, também os cabo-verdianos e são-tomenses são "familiares" muito próximos dos portugueses, embora isso se revele de forma mais vincada no arquipélago da "diva" das mornas Cesária Évora.
 

 

O estudo comparativo do cromossoma Y (que existe nos homens e é transmitido pela linhagem masculina) permitiu observar - segundo o investigador - que as populações de Cabo Verde e S. Tomé e Príncipe "se aproximam da população portuguesa e se afastam das populações africanas continentais".
 

 

Para Francisco Corte-Real, estes resultados poderão ser explicados pelo facto de maioritariamente terem sido homens portugueses (nomeadamente degredados) que foram enviados para esses arquipélagos com o objectivo de povoar as ilhas, e a quem foi atribuída uma mulher africana.
 

 

Muitos deles não cumpriram apenas o desígnio real de povoamento, mas procuram transmitir os genes através da descendência com "duas, três ou mais" mulheres.
 

 

Por uma questão de proximidade à Europa, e por questões climatéricas, a miscigenação entre Africanos e Portugueses (e com outros Caucasóides) terá sido mais intensa em Cabo Verde.
 

 

A forte influência genética verificada nos actuais habitantes desses dois arquipélagos pode também explicar-se pelo facto de na época dos descobrimentos se encontrarem despovoados.
 

 

Fonte: Lusa

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