Genes explicam propensão para violência

Estudo explica por que nem todas as vítimas de maus tratos se tornam adultos violentos

01 agosto 2002
  |  Partilhar:

As características genéticas explicam, parcialmente, porque é que nem todas as crianças vítimas de maus tratos na infância se tornam adultos violentos, indica um estudo que a revista Science publica na edição de sexta-feira.
 

 

O estudo, que seguiu a vida de 442 indivíduos da Nova Zelândia durante 26 anos, permitiu descobrir que os homens com uma combinação de abusos na infância e um gene defeituoso produtor de um químico cerebral tinham uma maior predisposição para acções criminosas ou anti-sociais do que os outros.
 

 

Os especialistas afirmam que esta descoberta poderá ajudar crianças vítimas de maus tratos a tornarem-se adultos responsáveis e não violentos.
 

 

Em ambos os grupos foi testada a actividade de um gene, monoamino oxidase tipo A (MAOA), que produz uma enzima responsável pelo controlo dos químicos no cérebro que transmitem os sinais entre os neurónios.
 

 

No grupo de estudo, 279 homens tinham genes MAOA normalmente activos, enquanto 163 registavam um baixo nível de acção deste gene.
 

 

O estudo demonstrou que 64 por cento dos homens não tinham um historial de maus tratos na infância, enquanto os restantes tinham experimentado maus tratos "graves" ou "prováveis" (definidos como rejeição da mãe, alteração frequente dos educadores principais e abusos físicos e sexuais).
 

 

Como conclusão da pesquisa, os investigadores descobriram que as crianças vítimas de maus tratos com uma baixa actividade do gene MAOA (12 por cento do grupo de estudo) registavam 44 por cento das atitudes violentas.
 

 

"Em adultos, 85 por cento das crianças severamente mal tratadas que também tinham baixos níveis de actividade do MAOA desenvolveram comportamentos anti-sociais e até violentos", afirmou Terrie Moffitt, da Universidade do Wisconsin (Madison), e co-autora do estudo.
 

 

As crianças vítimas de abusos mas com genes MAOA normais não demonstraram comportamentos anti-sociais mais significativos do que aqueles sem historial de maus tratos, sublinha ainda o estudo.
 

 

"Estas conclusões revelam que os genótipos (características genéticas) podem moderar a sensibilidade das crianças aos insultos ambientais", acrescentou Moffitt.
 

 

Segundo o investigador, estas descobertas podem explicar parcialmente porque é que nem todas as vítimas de maus tratos na infância se tornam agressores em adultos.
 

 

Fonte: Lusa
 

Partilhar:
Ainda não foi classificado
Comentários 0 Comentar

Comente este artigo

CAPTCHA
This question is for testing whether you are a human visitor and to prevent automated spam submissions.
Incorrecto. Tente de novo.
Escreva as palavras que vê na imagem acima. Digite os números que ouviu.