Genes de autismo associados a maior inteligência

Estudo publicado na revista “Molecular Psychiatry”

16 março 2015
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Os genes associados a um risco mais elevado de desenvolvimento do autismo poderão também estar associados a uma maior inteligência, revela um estudo internacional.
 
O autismo é um distúrbio do desenvolvimento que pode causar dificuldades a nível da linguagem e da fala. A inteligência não-verbal permite a resolução de problemas complexos através de competências de raciocínio que requerem muito pouco uso da linguagem ou mesmo nenhum.
 
A equipa das universidades de Edimburgo, na Escócia, e de Queensland, na Austrália, que conduziu o estudo afirma que, embora até 70% dos indivíduos com autismo apresentem uma disfunção cognitiva, alguns dos pacientes com a perturbação revelam uma inteligência não-verbal superior à média.
 
Para o estudo os investigadores contaram com a participação de dez mil indivíduos da população geral escocesa. Os participantes foram submetidos a testes para determinar a sua competência cognitiva, tendo o seu ADN sido igualmente analisado.
 
Foi descoberta uma associação entre as pessoas que nunca tinham desenvolvido autismo e apresentavam traços genéticos associados ao distúrbio e a obtenção de resultados um pouco superiores nos testes cognitivos.
 
A mesma associação entre genes ligados ao autismo e a inteligência foi observada nos resultados dos mesmos testes realizados a 921 adolescentes australianos que tinham participado num estudo sobre gémeos.
 
“As nossas descobertas demonstram que a variação genética que aumenta o risco para o autismo está associada a uma melhor competência cognitiva em indivíduos não-autistas. À medida que começamos a compreender o impacto exercido pelas variantes genéticas associadas ao autismo na função cerebral, talvez possamos começar a perceber melhor a natureza da inteligência autista”, explica Toni-Kim Clarke da Divisão de Psiquiatria da Universidade de Edimburgo e autor principal do estudo.
 
Nick Martin, do Instituto de Queensland para a Investigação Médica, na Austrália, comenta: “já se suspeitava da associação entre o autismo e uma melhor função cognitiva e está largamente implícita no bem conhecido ‘síndrome de Silicon Valley’ e em filmes como ‘Rain Man’ (‘Encontro de Irmãos’), assim como na literatura popular. Este estudo sugere que os genes do autismo podem na realidade conferir, em média, uma pequena vantagem àqueles que os expressam, desde que não sejam afetados pelo autismo”.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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