Genes bacterianos saltaram mesmo para o genoma humano?

Novo estudo contraria teoria anterior

20 junho 2001
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Um estudo recente vem contrariar um relatório científico o qual afirmava que 113 genes passaram directamente das bactérias para os vertebrados, incluindo o Homem, sem passar por organismos evolutivamente intermédios, como leveduras, minhocas ou moscas.
 

 

Quando apareceu a primeira análise do genoma humano, em Fevereiro, os investigadores disseram ter encontrado 223 genes que eram comuns às bactérias e aos humanos e que não existiam nos seres filogeneticamente intermédios como os citados acima. Sugeriram também que pelo menos 113 desses genes "saltaram" directamente das bactérias para os vertebrados.
 

 

Este relatório levantou questões quanto à facilidade com que genes de organismos geneticamente modificados como bactérias e diversos alimentos poderiam invadir o nosso genoma.
 

 

Agora, um novo relatório publicado na revista "Nature" e realizado por cientistas da empresa biotecnológica GlaxoSmithKline, vem afirmar que as coisas não são bem assim. Segundo estes autores houve uma precipitação na análise dos resultados.
 

 

É certo que as bactérias conseguem transferir, fácil e rapidamente, material genético entre elas, mas os autores achavam estranho isto ocorrer entre estes organismos e os vertebrados. "Um ou dois seria interessante, mas 113?", pergunta um dos autores do estudo.
 

 

A equipa de Stanhope fez basicamente o mesmo que a equipa do estudo anterior mas analisou mais bases de dados e critérios ligeiramente diferentes. Os investigadores escolherem 28 dos 113 genes descritos e, com o auxílio do computador e de ferramentas de bioinformática, estudaram a sua evolução e a sua relação filogenética com outros genes.
 

 

Afirmam não ter encontrado qualquer prova de que os genes bacterianos saltaram repentinamente para o genoma humano. Encontraram sim, genes de invertebrados como a minhoca e a mosca, parecidos com os estudados, mostrando que todos estes animais herdaram os genes de um ancestral comum e que depois seguiram caminhos diferentes.
 

 

O que encontraram foi precisamente o inverso. Isto é, descobriram um gene que terá sido transferido do Homem para as bactérias.
 

 

As principais críticas feitas ao estudo original que sugeria uma transferência genética entre bactérias e Homem assenta nas ferramentas e métodos informáticos usados. Por vezes, "a bioinformática faz esquecer que é de biologia que estamos a tratar", diz Stanhope.
 

 

É preciso recordarmo-nos que cada estudo tem os seus critérios e que portanto, o que é certo visto de um certo ângulo, deixa de o ser visto por outro. Também é verdade que, por exemplo, segundo teorias aceites actualmente, organelos celulares como mitocôndrias e cloroplastos (nas plantas) eram originalmente bactérias que infectaram outras células maiores e que, criando uma relação de simbiose(benefício mútuo ou "amizade"), permaneceram nessas células até hoje.
 

 

Helder Cunha Pereira
 

MNI - Médicos Na Internet
 

 

Fonte: New Scientist

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