Genérico ou de marca? O tratamento para a hepatite C pode variar entre 42 e 82.000 euros

Apresentação na Cimeira Mundial das Hepatites, Brasil

07 novembro 2017
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A revolução dos fármacos genéricos significa que nos dias que correm uma cura para a hepatite C pode custar pouca mais de 40 euros. No entanto, porque é que estes fármacos acessíveis não estão disponíveis universalmente e continuam tantos pacientes à espera de tratamento?
 
Andrew Hill, especialista em farmacologia da Universidade de Liverpool, Inglaterra, abordou precisamente esta questão numa apresentação na Cimeira Mundial das Hepatites que decorreu no Brasil entre 1 e 3 de novembro passados.
 
Segundo o especialista, um tratamento para a hepatite C de 12 semanas com sofosbuvir e daclatasvir, uma combinação dos novos fármacos antivirais de ação direta, é altamente eficaz, praticamente sem efeitos secundários e uma verdadeira revolução no tratamento da doença. 
 
No entanto, Andrew Hill explica que o preço deste tratamento pode variar de forma extrema: com custo de produção de cerca de 42 euros, e ainda com espaço para uma pequena margem de lucro, esta combinação farmacológica custa cerca de 67 euros na Índia, 150 euros no Egito, mas 5.150 euros na Austrália, 66.000 euros no Reino Unido e 82.000 euros nos EUA. Porquê?
 
O problema reside em questões relacionadas com restrições e patentes, o que faz com que muito poucos pacientes possam recorrer a esses fármacos de baixo custo. E dados recentes indicaram que as cópias genéricas são tão eficazes como os fármacos originais.
 
“Muito mais tem que ser feito para permitir que todos os países – especialmente os países em desenvolvimento – produzam fármacos a estes preços mais baixos. Sem alterações significativas às estruturas dos preços, a batalha contra a epidemia global da hepatite C simplesmente não poderá ser ganha”, avançou o especialista.
 
“Em 2016, por cada pessoa curada da hepatite C globalmente (1,76 milhões), foi infetada outra pessoa (1,5 milhões). Simplesmente não conseguimos eliminar esta epidemia a não ser que tratemos mais pessoas. E só podemos fazer isto se os preços dos fármacos descerem”, explicou.
 
Andrew Hill citou o exemplo do Egito, um país que tinha quase 7 milhões de casos de hepatite C para tratar. O país recebeu uma licença voluntária de uma farmacêutica de antivirais de ação direta para a produção dos fármacos a um preço muito mais baixo. Como resultado, o país tem hoje em dia menos de 5 milhões de casos para tratar.
 
Como conclusão, o especialista cita o caso de sucesso relativamente à epidemia do VIH: “o mundo demorou 15 anos a por 19 milhões de pessoas globalmente com tratamentos antirretrovirais para o VIH”, para rematar que “já temos os fármacos necessários para eliminar a hepatite C. Vamos aprender com o passado e repetir a história de sucesso clínico to tratamento global do VIH”.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
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