Gene relaciona alcoolismo ao stress

Especificidade genética explica compulsividade com a bebida

07 maio 2002
  |  Partilhar:

Se é um consumidor compulsivo de álcool, esta notícia interessa-lhe. Cientistas da Universidade de Heidelberg, na Alemanha, descobriram que um único gene pode ser a razão porque muita pessoas são «empurradas» para o álcool quando o stress aperta.
 

 

As experiências apenas foram realizadas em ratos, aos quais lhes foi retirado um gene, denominado CRH1. Os investigadores descobriram que estas cobaias bebiam mais álcool do que o normal, quando submetidos a uma experiência stressante.
 

 

No estudo publicado na revista científica Science

 

Caso se venha a confirmar em novas investigações, um simples teste genético poderá ajudar os médicos a identificar pessoas com problemas de alcoolismo que ainda estejam em fase de recuperação, mas que correm risco de recaída, sublinharam os investigadores no estudo apresentado.
 

 

A equipa liderada por Rainer Spanagel comparou ratos normais com um grupo de ratos geneticamente modificados que não possuíam o gene responsável por transformar o CRH1 em receptor.
 

 

Numa primeira fase, os dois grupos de animais foram obrigados a escolher entre água e álcool, com diferentes concentrações. Os dois grupos optaram por uma solução com oito por cento de álcool.
 

 

Logo depois, os investigadores separaram os dois grupos de ratinhos em duas experiências diferentes. Uma envolvia um ataque de um rato desconhecido e na outra obrigavam os ratos a nadar por três dias consecutivos.
 

 

Depois de cada experiência, todos os animais continuaram a beber a quantidade normal de álcool. Mas, três semanas depois, os ratos mutantes (modificados geneticamente) começaram a beber cerca de três vezes mais álcool do que os ratos normais.
 

 

Seis meses depois, os animais trangénicos continuaram a beber mais álcool. Ao invés, três meses depois da experiência, os ratos normais bebiam a mesma quantidade de álcool.
 

 

Mudanças no cérebro
 

 

Em múltiplos testes, foi provado que os cérebros dos ratos mutantes mudaram.
 

Ao certo, os investigadores ainda não sabem porque razão os ratos trangénicos demoraram três semanas para reagir às experiências stressantes, ao consumirem cada vez mais álcool.
 

 

Mas estas respostas não são pioneiras. Estudos anteriores já haviam mostraram um número elevado de respostas diferentes ao stress que podem desencadear a necessidade de beber. Por tudo isto, os cientistas alemães acreditam que este modelo pode ser aplicado a humanos.
 

 

Com este modelo, Rainer Spanagel acredita Ter descoberto o mecanismo neurobiológico de um tipo muito específico de fenótipo de pessoas alcoólicas.
 

"Pacientes com alterações nesse gene podem ser mais susceptíveis ao stress e podem reagir a tudo isto bebendo mais álcool", afirmou o cientista.
 

 

Para Alan Leshner, director-executivo da Associação Americana para o Avanço da Ciência, esta é uma descoberta importante. "Sabemos, há já bastante tempo, que o stress é a maior causa de recaída entre muitos alcoólicos, mesmo entre aqueles com longo período de recuperação. No entanto, este esquema não funciona em todos os alcoólicos".
 

 

Universidade de Heidelberg
 

 

Paula Pedro Martins
 

MNI-Médicos Na Internet
 

Partilhar:
Ainda não foi classificado
Comentários 0 Comentar

Comente este artigo

CAPTCHA
This question is for testing whether you are a human visitor and to prevent automated spam submissions.
Incorrecto. Tente de novo.
Escreva as palavras que vê na imagem acima. Digite os números que ouviu.