Gene pode tornar a gripe numa doença mortal

Estudo publicado na “Nature”

28 março 2012
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Investigadores do Reino Unido identificaram um gene que pode explicar o motivo pelo qual o vírus da gripe pode, em alguns indivíduos, provocar sintomas ligeiros, enquanto que para outros pode ser potencialmente mortal, dá conta um estudo publicado na revista “Nature”.

 

Neste estudo os investigadores da Wellcome Trust Sanger Institute, no Reino Unido, descobriram que os indivíduos portadores de uma variante específica do gene IFITM3 têm um maior risco de ficarem hospitalizados quando infetados pelo vírus influenza, do que os portadores de outras variantes.

 

A IFITM3 é uma proteína que protege as células contra as infeções virais e julga-se também que desempenha um papel importante na resposta do sistema imunitário contra o vírus H1N1. Quando esta proteína está presente em elevadas concentrações, a disseminação do vírus nos pulmões é impedida, mas na sua ausência ou caso esta apresente mutações, o vírus consegue disseminar-se mais rapidamente causando, deste modo, uma doença mais grave.

 

O papel antiviral do IFITM3 nos humanos foi sugerido em estudo genéticos, os quais mostraram que esta proteína bloqueava o crescimento do vírus influenza e do vírus da dengue nas células. Estes resultados levaram os autores deste estudo a questionarem-se se o IFITM3 protegia os ratinhos contra infeções virais, utilizando para tal animais que não expressavam este gene. Os investigadores verificaram que estes ratinhos, quando infetados pelos vírus influenza, apresentavam sintomas mais severos do que os ratinhos do grupo de controlo. Foi constatado que, nos ratinhos, a ausência de um único gene poderia converter um caso ligeiro de gripe numa infeção fatal.

 

Os investigadores sequenciaram posteriormente os genes IFITM3, em 53 indivíduos hospitalizados com gripe e verificaram que alguns apresentavam uma mutação neste gene. Esta mutação altera o gene IFITM3 e torna as células mais suscetíveis à infeção viral.

 

“Uma vez que o IFITM3 parece ser a primeira linha de defesa contra a infeção, os nossos resultados sugerem que os indivíduos que apresentem uma menor atividade deste gene poderão estar sob maior risco durante uma pandemia. Por outro lado, o IFITM3 pode ser essencial para a defesa da população contra outros vírus”, revelou, em comunicado de imprensa, um dos autores do estudo, Abraham Brass.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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