Gene associado a exaustão aumenta risco de Alzheimer em trabalhadores por turnos

Estudo publicado na revista “Sleep”

11 julho 2018
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A equipa de investigação já tinha demonstrado num estudo anterior que a mesma variação genética reduz a tolerância ao trabalho por turnos entre a população trabalhadora mais idosa.
 
Um dos fatores de risco da doença de Alzheimer é a perturbação do sono e do ritmo circadiano, que são frequentes entre os trabalhadores por turnos. A tolerância aos efeitos negativos desse tipo de trabalho varia entre indivíduos e está parcialmente associado a fatores genéticos intrínsecos.
 
O estudo liderado por Tiina Paunio, da Universidade de Helsínquia e do Instituto Nacional de Saúde e Segurança Social, Finlândia, mostrou que, para além do Alzheimer, a variação no gene MTNR1A está associada a lesões cerebrais visíveis no tecido cerebral post-mortem. Além disso, quando a expressão do gene MTNR1A era reduzida na cultura celular, ocorria uma acumulação da proteína beta-amiloide caraterística da doença de Azheimer.
 
O estudo anterior tinha constatado que a mesma variação genética responsável pela fadiga no trabalho por turnos está associada a baixos níveis de expressão do gene MTNR1A no cérebro. Isto significa que os resultados anteriores são compatíveis com os agora obtidos na coorte epidemiológica e nas culturas celulares. 
 
Uma predisposição genética combinada com um estilo de vida que perturba o ritmo circadiano pode aumentar o risco de doença de Alzheimer. O ritmo circadiano regula a libertação de melatonina, que, por sua vez, apoia o ritmo circadiano através dos seus recetores. 
 
A relação entre uma sinalização mais fraca da melatonina endógena e a doença de Alzheimer sustenta a ideia de que a regulação do ritmo circadiano desempenha um papel no desenvolvimento da doença de Alzheimer.
 
“A descoberta de um gene de risco comum à exaustão provocada pelo trabalho em trabalhadores por turnos e a doença de Alzheimer não significa diretamente que o trabalho por turnos crie predisposição à doença de Alzheimer. No entanto, a combinação da predisposição genética e um estilo de vida que perturba o ritmo circadiano pode aumentar o risco de doença de Alzheimer”, explica Sonja Sulkava, uma outra autora do estudo. “Uma outra interpretação possível é que as disfunções cerebrais relacionadas com o Alzheimer prejudiquem a tolerância ao trabalho por turno décadas antes do início da doença clínica.”
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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