Gene anticancerígeno também combate obesidade

Estudo publicado na “Cell Metabolism

09 março 2012
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Investigadores espanhóis descobriram um gene anticancerígeno que também está envolvido no combate à obesidade. Este estudo surpreendente, publicado na “Cell Metabolism”, pode ajudar no desenvolvimento de novas opções terapêuticas para o tratamento não só do cancro, como também da obesidade e até do processo de envelhecimento.

 

Estes resultados dão mais peso à hipótese, que tem ganho popularidade entre a comunidade científica, de que o cancro, o envelhecimento e, agora, a obesidade são todas manifestações do mesmo processo global que se desenvolve no organismo à medida que os tecidos acumulam mais danos do que os mecanismos naturais de reparação são capazes de corrigir.

 

Entre estes mecanismos de reparação, destaca-se um pequeno conjunto de genes associados ao seu efeito protetor contra ao cancro. Nos últimos anos, tem-se demonstrado que alguns destes genes também estão envolvidos na longevidade e desempenham um papel importante em problemas de alta incidência, como a diabetes e as doenças cardiovasculares.

 

Neste estudo os investigadores do Centro Nacional de Investigaciones Oncológicas, em Espanha, testaram se um destes genes com capacidade anticancerígena, o Pten, poderia afetar a longevidade.

 

Após terem modificado geneticamente ratinhos para duplicar os níveis da proteína Pten, os investigadores verificaram que estes animais eram mais resistentes ao cancro e viviam, em média, mais 12% do que os ratinhos do grupo de controlo. Foi constatado que este efeito na longevidade era independente da resistência ao cancro. O “Pten tem um impacto direto na longevidade”, revelou em comunicado de imprensa, o líder do estudo, Manuel Serrano.

 

Mas a “verdadeira surpresa” foi terem verificado que estes ratinhos geneticamente modificados eram significativamente mais magros, 28% em média, apesar de comerem mais. Estes eram também mais resistentes à insulina, apresentando assim um menor risco de desenvolvimento da diabetes e, por outro lado, os seus fígados resistiam melhor a uma dieta rica em gordura do que os ratinhos de controlo.

 

Após terem investigado qual a causa do maior gasto de energia, os investigadores descobriram que a resposta estava no tecido adiposo castanho, um tipo de tecido que, paradoxalmente, ajuda o organismo a queimar a gordura acumulada à volta do estômago e que tem sido o foco da investigação contra a obesidade.

 

Os autores do estudo demostraram que era a capacidade da Pten em ativar o tecido adiposo castanho que explicava o fato dos ratinhos serem magros. “O que vimos foi que um gene supressor dos tumores não só protege contra o cancro mas também contra os danos que se acumulam no organismo ao longo do tempo”, explica o investigador.

 

Os investigadores também descobriram a forma de atuação da Pten, sendo capazes de desenvolver uma molécula com os mesmos efeitos.

 

Os cientistas acreditam que os resultados deste estudo poderão ajudar a desenvolver um fármaco com os mesmos efeitos que a Pten teve nos ratinhos transgénicos. Para Manuel Serrano, seria agora fácil de imaginar “um fármaco que ativasse os supressores tumorais e que queimasse o excesso de nutrientes”.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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