Gastrenterologia em debate

Encontro reuniu em Lisboa mil clínicos gerais

07 julho 2003
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Cerca de metade da população em geral tem mensalmente pirose ou regurgitação. Os estudos epidemiológicos não deixam dúvidas: a Doença do Refluxo Gastro-Esofágico é a doença gastrointestinal mais comum em clínica geral. Além de prejudicar, e muito, a qualidade de vida do doente, este problema pode originar situações muito graves, como a adenocarcinoma esofágico.
 

 

De acordo com alguns estudos a Doença do Refluxo Gastro-Esofágico (azia, «amargos de boca», ardor…) e Dispepsia Funcional («digestão difícil») representa entre 20 a 40 por cento das consultas de um médico de clínica geral.
 

 

Para Hermano Gouveia, Chefe de Serviço de Gastrenterologia dos Hospitais da Universidade de Coimbra e Coordenador do simpósio português sobre «DRGE no Século XXI», que recentemente se realizou em Lisboa, esta patologia teve um crescimento exponencial nos últimos anos. «Podendo originar situações muito graves (adenocarcinoma esofágico), a maior parte das vezes limita-se a perturbar, e muito, a qualidade de vida dos pacientes».
 

 

Este simpósio teve como objectivo principal apresentar o ponto da situação actual no tratamento da DRGE e explorar soluções de forma a melhorar a prática clínica. Esta iniciativa esteve integrada no Stand Alone internacional «Appetite for New Data» que juntou, em Lisboa, 1.100 Clínicos Gerais da Europa, África e Médio Oriente.
 

 

Esta patologia atinge cerca de 10 a 20 por cento da população adulta nos países ocidentais e pode ter consequências mais ou menos graves. «O diagnóstico não é fácil devido a alguns sintomas que têm correlação com outras doenças que aparentemente não são do foro digestivo.
 

 

Como por exemplo, podem surgir crises de dor torácica parecidas com a angina cardíaca, casos de asma (por atingimento dos brônquios), situações de rouquidão crónica (por atingimento da laringe) e até perturbações do sono», alertou Luís Novais, Director do Serviço de Gastrenterologia do Hospital Fernando da Fonseca, durante a sua palestra sobre os sintomas típicos e atípicos da DRGE.
 

 

Ainda sobre diagnóstico Silvia Barrias, gastrenterologista do Hospital Stº. António, esclareceu os clínicos gerais sobre a importância dos exames subsidiários, que mais do que fazer o diagnóstico vão permitir avaliar a gravidade da lesão. Neste sentido, o exame mais frequentemente utilizado e mais informativo é a endoscopia digestiva alta. «Considerando o universo dos doentes com esta patologia, a endoscopia digestiva alta evidenciará um esófago normal na sua maioria: é a chamada DRGE não erosiva. Nos outros doentes, mostrará diferentes graus de esofagite erosiva e/ou complicações como o esófago de Barrett ou a estenose péptica».
 

 

A DRGE é considerada um distúrbio frequente e com impacto negativo na qualidade de vida do doente. Constitui-se, assim, como objectivos do tratamento o alívio dos sintomas e a cicatrização da esofagite, presente em alguns doentes, tentando deste modo prevenir-se as complicações.
 

 

«Está hoje provado que quanto mais rápida e eficazmente se conseguir inibir a secreção ácida para o estômago (secreção cloridro-péptica), mais rápido e continuado é o alívio das queixas do doente, havendo naturalmente uma relação directa também com o regresso à vida normal», explica Carlos Gregório, do Serviço de Gastrenterologia dos Hospitais da Universidade de Coimbra.
 

 

Para este especialista é condição de sucesso «a inibição ácida obtida com o uso dos mais recentes Inibidores da Bomba de Protões particularmente úteis, pela rapidez de acção necessária nos tratamentos curtos, bem como pela ausência de interacção medicamentosa, relevante nos tratamentos prolongados».
 

 

MNI-Médicos Na Internet
 

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