Gasparzinho: o pequeno robô que vive no IPO de Lisboa

Projeto coordenado pelo Instituto Superior Técnico

16 junho 2015
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Há cerca de um ano que o Gasparzinho, um pequeno robô social construído para interagir com as crianças, vive na pediatria do Instituto Português de Oncologia (IPO) de Lisboa, num projeto coordenado pelo Instituto Superior Técnico (IST).


Gabriel, de seis anos, corre atrás do pequeno robô, corredor acima, corredor abaixo, até ficar cansado. O menino sorri quando o Gasparzinho lhe sorri, lhe pisca o olho ou lhe estende a mão. E fala com ele, como se de um amigo verdadeiro se tratasse. “Ele não fala muito. Diz olá e não percebo a outra palavra”, disse à agência Lusa, o menino.


Quando chegou ao IPO, há quase um ano, o robô, que parecia saído de uma série de ficção científica, ainda fazia menos coisas e chamava-se MBOT. Foi já no instituto que alguém o humanizou como Gasparzinho e o nome pegou.


Desde essa altura que os técnicos têm estudado a relação do aparelho com as crianças e feito pequenas modificações que melhoraram as suas capacidades sociais. “A receção aqui no IPO, a todos os níveis, desde as crianças, o ‘staff’, os próprios pais, tem sido extraordinariamente positiva. A nossa vontade é continuarmos a desenvolver este tipo de atividade, porque o ‘feedback’ é fantástico”, disse o responsável do projeto, João Sequeira.


Os técnicos pretendem que no futuro o robô possa projetar um tabuleiro no chão e jogar um jogo com duas ou três crianças, além de controlar os meninos que muitas vezes usam o corredor para correr ou andar de triciclo. Outra vertente “é servir de auxiliar na sala de aulas [o IPO tem uma sala de aulas com três professores], ajudando em pequenas coisas os professores”, acrescentou.


Regra geral, as crianças reagem ao aparelho de acordo com o seu grupo etário.


“Há crianças muito pequenas que tendem a humanizá-lo imediatamente, a achar que ele é um de nós, há outros que ficam com dúvidas, portanto, há ali qualquer coisa, por um lado parece que sim, é um de nós, por outro lado não é. E depois há os maiores, que conseguem ter a sua distanciação”, disse a diretora da pediatria do IPO, Filomena Pereira.


A responsável destacou que o projeto assume uma grande importância, porque combate o isolamento dos miúdos e estimula a “interação de grupo”. “A importância é, sobretudo, contrariar a tendência do isolamento nos seus próprios jogos, nos seus próprios ‘gadgets’ individuais, que os miúdos têm e que, quanto a mim, é extremamente preocupante em termos de construção da personalidade da relação interpessoal”, salientou.


ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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