Gaguez afecta mais os rapazes

Manifesta-se na infância, mas pode ser prevenida

23 setembro 2001
  |  Partilhar:

Repetir sílabas, pronunciar palavras sem clareza de sons, hesitar nas respostas. Estes são sintomas que denunciam gaguez. Embora não existam explicações científicas para esta desordem da linguagem, investigadores franceses são unânimes em reconhecer que há mais homens gagos do que mulheres.
 

 

Na opinião da neurolinguística francesa Claire Dinville, um facto que deve ser notado é a correlação que existe entre a gaguez e todos os distúrbios da elaboração da linguagem (atraso da fala, dislexia, disortografia). Em declarações ao jornal brasileiro «Folha de São Paulo», Dinville sugere algumas explicações para que este distúrbio atinja mais os homens que as mulheres: o facto das raparigas começarem a falar mais cedo e terem as funções cerebrais mais bem distribuídas.
 

 

Alguns investigadores acreditam, no entanto, que a gaguez é herditária, ou seja, pais com distúrbios da fala podem ter filhos com o mesmo problema.
 

 

Embora existam estudos que demonstrem os antecedentes familiares em 30 a 40 por cento dos casos de gaguez, esta influência ainda não está provada cientificamente devido à falta de árvores genealógicas que comprovem tal correlação.
 

Uma curiosidade apontada por vários especialistas refere a existência de uma correlação entre o facto de se ser canhoto e a gaguez.
 

 

Como se manifesta?
 

 

 

A partir dos três anos, a criança começa a utilizar a linguagem com facilidade devido à capacidade cerebral de usar a memória a longo prazo. É neste período que se pode desenvolver a gaguez.
 

 

A maioria das crianças passa tranquilamente por esta fase. Mas em algumas, a disfluência normal, característica da idade, pode transformar-se em gaguez.
 

 

Até ao momento, não foi encontrada nenhuma causa específica para este problema, mas sabe-se que nenhum caso é absolutamente igual ao outro.
 

 

Muitos dos sintomas manifestam-se em função do esforço excessivo do gago em evitar a gaguez, o que conduz a uma fala repleta de falhas de ritmo, pausas silenciosas, frases incompletas com esforço físico, alterações na sincronização entre a respiração e a produção da fala.
 

 

Conselhos
 

 

Alguns especialistas acreditam que a gaguez pode ser prevenida. O primeiro passo cabe à família: Quanto maior a consciencialização sobre o assunto, maior será o sucesso da prevenção.
 

 

Para quem tenha filhos pequenos, aqui vão alguns conselhos recolhidos entre alguns livros da especialidade:
 

 

Não chame o seu filho de gago;
 

 

Aceite as falhas ou quebras de ritmo – elas fazem parte do processo de aquisição da linguagem;
 

 

Não insista para a criança não ter medo de falar, para que fique calma ou para que respire antes de falar;
 

 

Quando a criança falar olhe-a directamente nos olhos, toda a sua atenção deve estar voltada para ela;
 

 

Evite discussões em frente da criança, porém não esconda factos importantes que possam mudar a sua rotina;
 

 

Ouça com atenção e paciência o que o seu filho tem para lhe dizer;
 

 

Quando está em dificuldade de se expressar, não termine as frases nem o assunto;
 

 

Leia-lhe histórias antes de adormecer;
 

 

Melhore a auto-estima criança – elogie-a sempre que possível;
 

 

Transforme os momentos de conversa em situações agradáveis
 

 

 

Paula Pedro Martins
 

 

MNI - Médicos Na Internet
 

Partilhar:
Ainda não foi classificado
Comentários 0 Comentar

Comente este artigo

CAPTCHA
This question is for testing whether you are a human visitor and to prevent automated spam submissions.
Incorrecto. Tente de novo.
Escreva as palavras que vê na imagem acima. Digite os números que ouviu.