Futebol usado para tratar doentes com diabetes

Projeto do ISPUP e FPF

19 dezembro 2018
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O Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto (ISPUP) e a Federação Portuguesa de Futebol (FPF) desenvolveram um projeto, o “SWEET-Football”, que usa o futebol como medicamento para tratar doentes com diabetes tipo 2.
 
Em entrevista à Lusa, Romeo Mendes, o investigador do ISPUP responsável pelo projeto, contou que o principal objetivo do “SWEET-Football”, iniciado em setembro, é "avaliar a aplicabilidade e a segurança" daquela que é uma variante de futebol recreativo – o “walking football”.
 
"Tradicionalmente o tipo de atividades que estão ao dispor desta população e as soluções que a sociedade oferece não envolvem adequadamente as pessoas, que facilmente acabam por desistir da atividade. Quando queremos promover alterações de comportamentos na comunidade têm de existir motivações intrínsecas e extrínsecas que, de facto, alterem o estilo de vida das pessoas", adiantou.
 
O projeto “SWEET-Football”, desenvolvido com o apoio do Agrupamento de Centros de Saúde (ACES) do Porto Oriental da Administração Regional de Saúde do Norte, reúne cerca de 30 doentes com a diabetes tipo 2, com idades entre os 50 e 70 anos, das zonas de Paranhos e Arca d'Água, no Porto.
 
"Há uma maior prevalência da diabetes tipo 2 nos homens do que nas mulheres. Portanto, aproveitamos também o facto de no nosso país o público masculino ter uma relação emocional e afetiva muito grande com o futebol, ou porque gostam do desporto, ou porque até já foram jogadores", esclareceu o investigador.
 
Segundo Romeu Mendes, os participantes praticam a "dose mínima de atividade" recomendada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) para o tratamento desta doença, ao realizarem três treinos por semana que têm a duração de uma hora.
 
"A dose mínima semanal advogada pela OMS são os 150 minutos, mas o nosso projeto oferece cerca de 180 minutos por semana, usando a atividade física como se de um medicamento se tratasse. Os participantes são acompanhados por um treinador de futebol, por um fisiologista e um enfermeiro", salientou.
 
"As únicas regras do 'walking football' é que ninguém corre e não há contacto físico. Quem está com a bola sabe que ninguém vai tirar-lhe e isso foi fundamental para que estas pessoas aceitassem jogar futebol, visto que sentem que estão a praticar com segurança", explicou Romeo Mendes.
 
Apesar de a diabetes tipo 2 afetar sobretudo a população masculina, os investigadores estão também à procura de uma "solução para as mulheres", que poderá não passar pelo futebol, mas por outra modalidade mais "tradicional".
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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