Futebol e coração: ligação perigosa?

Assistir a vitórias do clube reduzir risco de ataques cardíacos, aponta estudo

27 maio 2003
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Para o coração de um adepto, o melhor é mesmo assistir a uma partida de futebol do seu clube favorito. Segundo um investigador francês, a maneira de reduzir o risco de ataques cardíacos é recomendar que as pessoas assistam às vitórias de seus clubes em emocionantes jogos de futebol, por exemplo, os derbies.
 

 

Estudos anteriores já tinham indicado que a paixão e tensão presentes numa importante partida de futebol podem, literalmente, provocar uma paragem cardíaca. Os investigadores observaram que o número de ataques cardíacos em Inglaterra aumentou em 25 por cento quando a Argentina derrotou a selecção inglesa, a pénaltis, nas oitavas-de-final do Campeonato do Mundo de 1998.
 

 

Agora, no entanto, no estudo liderado pelo médico Frédéric Berthier, e publicado no jornal especializado «Heart», afirma que um jogo de futebol pode provocar os efeitos contrários quando o espectador assiste à vitória de seu clube.
 

 

Os investigadores da equipa de Berthier estudaram os índices de mortes por ataques cardíacos em França durante o período em que a selecção francesa venceu o Brasil no último jogo do Campeonato do Mundo 1998.
 

 

Nos cinco dias anteriores e posteriores à partida decisiva, a média diária de mortes provocadas por ataques cardíacos entre os homens foi de 33. No dia da final, no entanto, o número caiu para 23.
 

 

Os investigadores ainda observaram uma tendência semelhante entre as mulheres: no período em torno da decisão, a média de mortes por ataques cardíacos foi de 28; no dia da final, no entanto, o número caiu para 18.
 

 

O estudo afirma que o fenómeno observado possa ser resultado de uma combinação dos baixos níveis de actividade física registrados quando uma pessoa está a assistir televisão com a euforia de uma vitória, o que provocaria uma redução nos níveis de stress.
 

 

Para a médica Berlinda Linden, da Fundação Britânica do Coração, no entanto, é necessária muita prudência quanto às possíveis interpretações precipitadas que os resultados possam gerar. «Embora eu esteja certa de que muitas pessoas ficariam satisfeitas em ouvir que uma vitória da selecção poderia reduzir os riscos de um ataque cardíaco, isso não é assim tão simples».
 

 

Tudo porque, explica Linden «o desenvolvimento de camadas de gordura dentro das artérias coronárias, que provoca doenças cardíacas, é normalmente resultado de muitos anos e de um estilo de vida marcado por diversas características, incluindo uma dieta pobre, o hábito de fumar e a falta de actividades físicas.» E alerta: «em cerca de 70 por cento dos casos, as pessoas sofrem um ataque cardíaco quando estão a descansar».
 

 

Traduzido e adaptado por:
 

Paula Pedro Martins
 

MNI-Médicos Na Internet
 

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