Fungos infecciosos mudam de dieta alimentar

Controlar infecções fúngicas em imuno-deprimidos

04 julho 2001
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O fungo Candida albicans, inofensivo em pessoas saudáveis, pode causar infecções fatais em imuno-deprimidos, como pessoas com leucemia ou sujeitas a quimioterapia. O mecanismo pelas quais estas células se conseguem infiltrar e infectar células onde não é fácil, mas foi detectado por uma equipa de investigadores norte-americanos.
 

 

Este mecanismo consiste na capacidade destas células em alterarem a sua dieta dos vulgares açucares que consomem em infecções benéficas para a utilização de gordura como fonte de energia.
 

 

Geralmente, o fabrico de medicamentos específicos contra fungos é uma tarefa difícil, dada a sua semelhança com as células humanas, mas esta nova via metabólica descoberta é característica daqueles seres e ao conseguir-se interferir nela poder-se-á combater especificamente a infecção.
 

 

Candida albicans é um fungo que habita as zonas do intestino e pele ricas em açucares, o qual causa não mais do que uma irritação em indivíduos saudáveis. No entanto, em imuno-deprimidos, especialmente aqueles que sofrem de leucemia ou sujeitos a quimioterapia, o fungo consegue ultrapassar as defesas do corpo e invade as células saudáveis do corpo. Lá dentro, o fungo torna-se muito difícil de atingir com medicamentos e a infecção pode espalhar-se a órgãos vitais, como os rins.
 

 

Neste estudo, e como o genoma da Candida albicans é ainda pouco conhecido, a equipa utilizou um fungo relacionado bastante mais estudado - a Saccharomyces cerevisae - como modelo.
 

 

Os investigadores descobriram que este fungo, quando absorvido, pelas células do sistema imunitário de ratos, tinha activos 15 genes, 11 dos quais codificam para uma via metabólica denominada o ciclo do glioxilato, que permite o uso de lípidos - os componentes da gordura - como fonte de energia, em vez do mais comum açúcar glicose.
 

 

Para verificar se o mesmo acontecia com a Candida albicans ,os investigadores criaram uma estirpe mutante desta espécie que não produzia uma das enzimas principais deste ciclo do glioxilato. Constataram que esta estirpe era francamente menos infecciosa em ratos do que a estirpe selvagem original.
 

 

Os cientistas consideram esta descoberta muito importante, ainda mais porque foi descoberto recentemente que a mesma via metabólica é crucial para a infecção da bactéria que causa a tuberculose.
 

 

As companhias farmacêuticas estão já a desenvolver compostos que neutralizem esta via metabólica na bactéria da tuberculose e os cientistas acreditam que substâncias semelhantes possam ser eficazes contra a infecção do fungo Candida albicans.
 

 

Helder Cunha Pereira
 

MNI - Médicos Na Internet
 

 

Fonte: Nature

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