Fungos e doença de Parkinson: como estão associados?

Estudo publicado nos “Proceedings of the National Academy of Sciences”

14 novembro 2013
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Um composto frequentemente produzido pelos fungos poderá estar associado aos sintomas envolvidos na doença de Parkinson, dá conta um estudo publicado nos “Proceedings of the National Academy of Sciences”.
 

“A doença de Parkinson já tinha sido associada com a exposição a toxinas ambientais, mas estas eram substâncias químicas artificiais. Neste estudo, mostramos que os compostos biológicos podem danificar a dopamina e causar os sintomas característicos da doença de Parkinson”, referiu uma das autoras do estudo, Arati Inamdar.
 

Em 2005 quando o furacão Katrina atingiu a costa do Golfo, a habitação de uma outra autora do estudo, Joan Bennett, ficou infestada de fungos. Apesar de a investigadora ter tomado algumas precauções, como utilização de luvas e máscara, quando decidiu recolher algumas amostras dos fungos, acabou por ter dores de cabeça, náuseas e tonturas. Na altura, a bióloga pensou que seria impossível ter inalado uma quantidade suficientemente grande fungos para ficar doente. Foi aí que colocou a hipótese de os sintomas terem sido causados por uma substância volátil.
 

Após ter chegado à Escola de Ciências Ambientais e Biológicas de Rutgers, nos EUA, decidiu, conjuntamente com Arati Inamdar, averiguar se havia uma associação entre os fungos e os sintomas ocorridos durante o furacão.
 

As investigadoras descobriram que o composto volátil denominado por 1-octeno-3-ol poderia causar distúrbios de movimento nas moscas da fruta, similares aos observados na presença de pesticidas. Posteriormente, foi verificado que este composto atacava dois genes que estão associados à dopamina, o que conduz à degeneração dos neurónios e ao aparecimento dos sintomas da doença de Parkinson.
 

Estudos anteriores já tinham indicado que a doença de Parkinson está aumentada na zonas rurais, uma associação que se atribuiu à exposição de pesticidas. Contudo, este tipo de zona está também exposto a muitos fungos e cogumelos.
 

“O nosso estudo sugere que o 1-octeno-3-ol poderá estar também associado à doença, particularmente para as pessoas que apresentavam uma suscetibilidade genética para esta doença degenerativa. Fornecemos aos epidemiologistas mais alguns caminhos para explorar”, conclui Arati Inamdar.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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