Função do sistema nervoso é influenciado pelo género

Estudo publicado no “Journal of Neuroscience Research”

07 dezembro 2016
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A comunidade científica tem vindo a aperceber-se que as diferenças entre os homens e as mulheres vão muito para além dos sistemas reprodutores. Um novo estudo publicado no “Journal of Neuroscience Research” sugere que o género influencia a função do sistema nervoso. 
 
Para o estudo, os investigadores do Instituto de Medicina Experimental, na Rússia, analisaram como as variantes de um gene que codifica uma proteína denominada galanina podem influenciar a esclerose múltipla nos homens e nas mulheres. 
 
Estudos recentes constataram que esta proteína está presente em níveis elevados em amostras do tecido cerebral de pacientes com esclerose múltipla. Neste estudo os investigadores, liderados por Victor Klimenko, compararam, em indivíduos saudáveis e com esclerose múltipla, as variantes das sequências de ADN mais e menos ativas que controlam a expressão do gene galanina. 
 
 
Inicialmente os cientistas constataram que não havia diferenças entre os dois grupos. Contudo, quando tiveram em conta o género dos pacientes verificaram que havia uma diminuição de cerca de duas vezes na variante genética menos ativa nos homens saudáveis, comparativamente com as mulheres saudáveis. Adicionalmente, verificou-se que esta variante aumentava a suscetibilidade à esclerose múltipla nos homens, mas não nas mulheres.
 
O estudo apurou ainda que a presença desta variante nos homens estava também associada ao atraso no desenvolvimento da esclerose múltipla. Na verdade, verificou-se que a taxa de progressão da doença estava significativamente acelerada nas mulheres portadoras da variante. 
 
Victoria Lioudyno, uma outra autora do estudo, refere que espera que estes achados fomentem o desenvolvimento de estratégias personalizadas para a prevenção e tratamento da esclerose múltipla, devendo estas ter em conta a contribuição específica do género das variantes do gene galanina para a suscetibilidade e progressão da doença.
 
Eric Prager, o editor-chefe do “Journal of Neuroscience Research”, refere que atualmente a neurociência está numa encruzilhada. Na sua opinião, este estudo conclui inequivocamente que o género é uma das varáveis a ter em conta e que os investigadores não se devem apenas basear em animais do sexo masculino e células, uma vez que podem ser ocultadas diferenças chave que podem influenciar os estudos clínicos. 
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
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