Função cognitiva após AVC mais protegida nos bilingues

Estudo publicado na revista “Stroke”

23 novembro 2015
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Os indivíduos bilingues são duas vezes mais propensos a apresentarem funções cognitivas normais após um acidente vascular cerebral (AVC), comparativamente com aqueles que apenas falam uma língua, dá conta um estudo publicado na revista “Stroke”.
 

“As pessoas tendem a pensar que a doença de Alzheimer é a única causa de demência, mas necessitam de saber que o AVC também é uma causa importante”, revelou, em comunicado de imprensa, o líder do estudo, Subhash Kaul.
 

Para o estudo os investigadores do Instituto de Ciências Médicas de Nizam, na Índia, reviram os registos clínicos de 608 pacientes que tinham sofrido um AVC. Mais de metade dos pacientes era bilingue, definido no estudo como indivíduos que falam mais de duas línguas. De forma a assegurar que os resultados não se deviam ao facto de os bilingues terem um estilo de vida saudável, os investigadores tiveram em conta fatores como tabagismo, pressão arterial elevada, diabetes e idade.
 

O estudo apurou que 40% dos pacientes bilingues apresentavam funções cognitivas normais após um AVC, comparativamente com os 20% dos pacientes que apenas falavam uma língua. Verificou-se que os bilingues tiveram um maior desempenho nos testes após o AVC que mediram a atenção e a capacidade de recuperar e organizar a informação.
 

Surpreendentemente, não foram observadas quaisquer diferenças entre os bilingues e aqueles que falavam uma língua no risco de afasia, uma doença que pode causar dificuldades na fala, leitura e escrita, após um AVC.
 

“A vantagem do bilinguismo é que faz com que as pessoas mudem de uma língua para outra, assim quando inibem uma língua, têm de ativar outra para comunicarem”, explicou Suvarna Alladi.
 

“Os resultados do estudo podem não ser universalmente aplicáveis a todos os bilingues. Hyderabad é uma cidade multicultural onde são habitualmente faladas muitas línguas. Mudar constantemente o idioma é uma realidade diária para muitos residentes de Hyderabad. O benefício cognitivo pode não ser observado em locais onde a necessidade de funcionar em duas ou mais línguas não é tão grande”, disse a investigadora.
 

“O nosso estudo sugere que a realização de atividades que promovem a estimulação intelectual ao longo do tempo, desde a juventude ou mesmo a partir da meia-idade, pode proteger contra danos causados por um AVC”, conclui Subhash Kaul.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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