Fumo de braseira mata quatro em Loulé
26 dezembro 2001
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Três adultos e uma criança morreram na noite de Natal, em Loulé, vítimas de intoxicação por monóxido de carbono provocada por uma braseira instalada na habitação. À tragédia que vitimou esta família enquanto celebrava a Consoada apenas sobreviveram outras duas crianças, que foram transportadas para o Hospital Distrital de Faro (HDF), onde ontem à noite ainda se encontravam internadas, mas livres de perigo.
 

 

A noite de Consoada só não foi mais trágica porque uma vizinha das vítimas, com os seus dois filhos, uma rapariga de 11 e um rapaz de 20 anos, tinha saído pouco depois do jantar por estar a sentir-se mal devido à inalação do fumo da braseira. "Eram umas oito horas da noite quando cheguei lá à casa com os meus filhos para jantarmos com eles, porque tínhamos sido convidados para passar a Consoada. Como estava frio eles tinham o fogo aceso numa latinha que estava no chão. Mas não me lembro se era carvão ou lenha", contou ao Correio da Manhã Rosa Sousa, amiga e vizinha das vítimas. Pouco depois da ceia de Natal prontificou-se para ajudar a levantar a mesa e a lavar a loiça.
 

 

Foi aí que a noite começou a correr mal , fazendo com que a Consoada terminasse mais cedo para Rosa Sousa e os seus dois filhos, mas salvando-os do fim trágico que foi traçado para os seus vizinhos. "Comecei a sentir uma dor de cabeça e uma tontura muito grande, mas não liguei. Mas passado um bocado estava a doer-me mais. Fui à sala onde ainda estavam todos a comer e a minha filha disse-me que também não estava a sentir-se bem", confessou Rosa Sousa. Como a filha se queixou de que lhe estava a doer a cabeça deixou-a ir para casa, situada poucos metros mais acima da mesma rua. Ao mesmo tempo tranquilizou-a, dizendo que iria pouco depois ter com ela.
 

 

 

Rosa Sousa diz que alguns minutos mais tarde, cerca das 21h00, quando resolveu ir ver o estado da filha, foi obrigada a segurar-se nas paredes e nos carros estacionados na rua para não cair, tal era o estado de fraqueza e tonturas que sentia. "Abri a porta de casa e vi que a moça ainda estava acordada. Aí, caí no chão. Não tinha forças nas pernas e sentia uma grande aflição na barriga. Mas nunca suspeitei que fosse do fumo", confessou.
 

 

A verdade é que a pequena habitação onde estivera com os filhos, com uma só divisão e três janelas completamente fechadas, não deixava sair o fumo proveniente da braseira, intoxicando todos os seus habitantes. Paulo Sousa, filho de Rosa, que se queixava dos mesmos sintomas, ainda abriu uma janela enquanto permaneceu na casa, cerca de uma hora mais que a mãe e a irmã, mas que supostamente uma das vítimas viria a fechar depois da sua saída. Já só de manhã é que a tragédia seria revelada. Cerca das 08h30, Rosa Sousa, acompanhada pela filha , dirigiu-se a casa dos vizinhos e encontrou-os já sem vida.
 

 

Fonte: Correio da Manhã
 

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familia

saber onde estao elas

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