Fumar um maço de tabaco por dia causa anualmente 150 mutações

Estudo publicado na revista “Science”

08 novembro 2016
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Fumar um maço de tabaco por dia provoca, em média, 150 mutações adicionais anuais em cada célula pulmonar, dá conta um estudo publicado na revista “Science”.
 

O estudo levado a cabo pelos investigadores do Instituto Wellcome Trust Sanger, no Reino Unido e do laboratório Nacional de Los Alamos, nos EUA, fornece uma ligação direta entre o número de cigarros fumados durante a vida e o número de mutações no ADN do tumor. As taxas de mutação mais elevadas foram observadas nos cancros dos pulmões, mas os tumores presentes noutras partes do organismo também apresentam estas mutações associadas ao tabagismo. Estes resultados explicam porque fumar causa muitos tipos de cancro.
 

O tabagismo tem sido epidemiologicamente associado a pelo menos 17 tipos de cancros. Contudo, até à data ainda não se tinha apurado os mecanismos através dos quais o tabagismo causa tantos tipos de cancro.
 

Neste estudo, os investigadores analisaram mais de cinco mil tumores, tendo comparado os cancros dos fumadores com os de indivíduos que nunca tinham fumado. Verificou-se que existiam “marcas” moleculares específicas de danos no ADN (assinaturas mutacionais) dos fumadores e contabilizou-se a presença destas mutações específicas nos diferentes tumores.
 

O estudo apurou que, em média, fumar um maço de tabaco por dia produzia 150 mutações em cada célula pulmonar anualmente. Estas mutações representam potenciais pontos de partida individuais para uma cascata de danos genéticos que eventualmente conduzem ao cancro. O número de mutações presente em qualquer célula cancerosa varia entre indivíduos, mas o estudo revela a carga mutacional adicional causada pelo tabaco.
 

Os investigadores também verificaram que um maço de tabaco diário conduzia, anualmente, a uma média de 97 mutações em cada célula da laringe, a 39 mutações na faringe, a 23 mutações na boca, a 18 mutações na bexiga e a seis mutações em cada célula hepática.
 

Até à data, ainda não se sabia ao certo como o tabaco aumentava o risco de desenvolvimento de cancro nas partes do corpo que não tinham contacto direto com o fumo. No entanto, este estudo revelou diferentes mecanismos através dos quais o tabaco causa estas mutações, dependendo da área corporal afetada.
 

O estudo revelou pelo menos cinco processos distintos através dos quais o ADN é danificado devido ao tabaco. O mais comum é uma assinatura mutacional encontrada na maior parte dos cancros. O tabagismo parece acelerar a velocidade de um relógio celular que produz mutações prematuras no ADN.
Na opinião do investigador Mike Stratton, do Instituto Wellcome Trust Sanger, este estudo poderá ajudar no avanço da investigação e a melhor prevenir todas as formas de cancro.
 

O cientista conclui que o genoma de cada cancro fornece um tipo de registo arqueológico, inscrito no próprio código do ADN, das exposições que causaram as mutações que conduziram ao cancro. Na sua opinião este estudo indica que a forma como o tabaco causa o cancro é mais complexa do que se pensava.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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