Fumar perto das crianças quase tão grave como na gravidez

Estudo da Universidade de Montreal

25 junho 2015
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As crianças cujos pais fumavam perto delas quando estas eram pequenas apresentam um risco aumentado de terem um maior perímetro de cintura, bem como um maior índice de massa corporal (IMC) aos 10 anos de idade, sugere um estudo realizado pelos investigadores da Universidade de Montreal.
 

“Aos 10 anos, as crianças que tinham sido intermitente ou continuamente expostas ao tabaco eram suscetíveis de ter um perímetro de cintura cerca de 1,5 cm maior do que os seus pares. Eram também mais propensas a ter um IMC 0,48 a 0,81 mais elevado. Esta associação é quase tão grande quanto a influência do tabagismo durante a gravidez”, revelou, em comunicado de imprensa, a líder do estudo, Linda Pagani. Cerca de 40% das crianças de todo o mundo estão expostas ao fumo passivo do tabaco nas suas próprias casas.
 

De forma chegarem a estas conclusões, os investigadores utilizaram dados do Estudo Longitudinal de Desenvolvimento Infantil no Quebec que incluiu um conjunto de dados, fornecidos pelos pais e professores, sobre o desenvolvimento da criança, bem-estar, estilo de vida, ambiente social e comportamento. Estes resultados foram conseguidos através da comparação do comportamento de 2.055 famílias e dos resultados dos seus filhos.
 

“Apesar de o aumento dos parâmetros observados não ter sido muito grande, ocorreu num período crítico do desenvolvimento da criança. “O aumento de peso pode consequentemente ter efeitos sérios e duradouros”, referiu a investigadora.
 

De acordo com a Linda Pagani, a associação encontrada pode ser justificada de várias formas. Assim, a exposição precoce ao fumo do tabaco pode estar a influenciar os desequilíbrios endócrinos e alterar o funcionamento do neurodesenvolvimento em períodos tão importantes no desenvolvimento do hipotálamo, danificando assim sistemas vitais que sofrem um crescimento pós-natal importante e que se desenvolvem até meio da infância.
 

A investigadora acrescenta que os mecanismos através dos quais o fumo do tabaco influencia os processos imunológicos, do neurodesenvolvimento e cardiovasculares são múltiplos e transversais.
 

“Os nossos resultados reforçam a importância das iniciativas de saúde pública e da sensibilização dos pais que tenham por alvo a redução da exposição ao fumo de tabaco ao longo de anos da infância tão importantes”, conclui a investigadora.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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