Fumar na puberdade potencia dores menstruais severas

Estudo publicado na Tobacco Control

24 novembro 2014
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As adolescentes que começam a fumar antes dos 13 anos podem apresentar um risco de desenvolver dores menstruais severas de forma crónica revela um estudo recente.
 

As dores menstruais ou dismenorreia, afetam cerca de 91% das mulheres ao longo do seu período reprodutor, sendo que 29% sofrem dores severas. Este problema pode ser debilitante em certos casos, levando a que as mulheres jovens percam horas de ensino e de trabalho.
 

O estudo conduzido por Hong Ju e equipa, da Universidade de Queensland na Austrália, procurou analisar, ao pormenor, a associação entre o tabagismo e as dores menstruais severas ao longo do tempo. Estudos anteriores sobre o tema produziram resultados diversos.
 

A equipa analisou dados relativos a 9.067 mulheres que tinham participando num estudo australiano sobre a saúde da mulher, o qual tinha tido início em 1996, quando as participantes tinham entre os 18 e os 23 anos de idade.
 

A cada 3 ou 4 anos, entre 2000 e 2012, as mulheres foram convidadas a participarem num inquérito que procurava determinar com que frequência experimentavam dores menstruais severas. As participantes foram também questionadas sobre os seus hábitos tabágicos: se fumavam na altura, se tinham fumado no passado e, se sim, com que idade tinham começado a fumar.
 

Foi observado que, em 2000, 59% das participantes eram não-fumadoras, 26% das participantes fumavam e que 14,3% eram ex-fumadoras. 7,3% das participantes ex-fumadoras afirmaram ter começado antes dos 13 anos e 13,5% entre os 14 e 15 anos de idade. Cerca de 8% tinham começado a fumar antes de começarem a ter períodos menstruais regulares. No mesmo ano, cerca de 25% das participantes sofriam dores menstruais todos os meses, sendo que o problema afetava 29% das fumadoras e 23% das não-fumadoras.
 

Após o período de monitorização de 12 anos, as participantes foram divididas em quatro grupos, dependendo do grau de severidade e frequência das dores menstruais: um grupo “normativo”, com 42% das mulheres que tinham poucas ou nenhumas dores menstruais; um grupo de “início tardio”, com 11% das mulheres em que a prevalência das dores menstruais tinha aumentado de 15 para 70% durante o período de monitorização; o grupo da “recuperação”, com 33% das participantes nas quais as dores tinham diminuído de 40 para 10%; finalmente o grupo crónico, com 14% das mulheres nas quais a prevalência das dores tinham aumentado em 70 a 80%.
 

Os resultados do estudo revelaram que as fumadoras que tinham iniciado o hábito antes dos 13 anos apresentavam uma possibilidade 60% maior de sofrerem dores menstruais crónicas (mais do que dois dias seguidos de dores) do que as mulheres que nunca tinham fumado, mesmo após os investigadores terem tido em conta fatores que influenciavam as dores, tais coo o peso ou a história reprodutiva.
 

Como possível explicação para estes fenómenos, a equipa adianta o facto de o tabagismo fazer reduzir o fluxo sanguíneo, o que provoca dor, sendo que fumar antes da puberdade tem um efeito ainda maior.
 

“Este estudo associou o tabagismo, especialmente o de início precoce, com um risco aumentado de dismenorreia ao longo do tempo. Aborda os efeitos imediatos do tabagismo, reforça ainda mais a mensagem que os programas antitabágicos deviam incidir sobre as mulheres jovens, particularmente as adolescentes”, comentaram os investigadores.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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