Fumar menos não adianta, importante é parar

Reduzir consumo não elimina toxinas

26 janeiro 2004
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Que se desenganem os fumadores que reduziram ao mínimo o consumo de tabaco. Podem até ficar felizes com a proeza, mas, segundo um novo estudo, não estão a diminuir o nível de substâncias cancerígenas no organismo, ao contrário do que esperariam. Um artigo publicado na revista Journal of the National Cancer Institute, dos Estados Unidos, indica que a simples redução do consumo não chega nem perto da eliminação completa do hábito, em termos de benefícios para saúde.Quando fumam menos, disseram os investigadores, os consumidores tendem a dar passas mais profundas em cada cigarro. «E os resultados indicam que alguns fumadores podem beneficiar ao fumar menos, mas para a maioria os efeitos são modestos, provavelmente devido à compensação», escreveram os cientistas. Liderados por Stephen Hecht, do Centro Oncológico da Universidade de Minnesota, os cientistas examinaram 92 fumadores ao longo de seis meses, analisando especificamente os níveis de NNK, uma das substâncias cancerígenas mais conhecidas do tabaco.Os fumadores, que consumiam em média 23,7 cigarros por dia, aceitaram diminuir sistematicamente o hábito -- 25 por cento nas duas primeiras semanas, 50 por cento nas duas semanas seguintes, e a partir daí 75 por cento ou mais, caso conseguissem.Os exames à urina mostraram que os fumadores que reduziram o consumo entre 55 e 90 por cento apresentaram uma diminuição de apenas 27 a 51 por cento nos níveis de NNK do organismo. Mesmo os fumadores que passaram a fumar apenas dois cigarros por dia tiveram uma redução desproporcional de apenas 46 por cento nesse nível.Scott Leischow e Mirjana Djordjevic, do Núcleo de Pesquisas para o Controlo do Tabaco do Instituto Nacional do Cancro dos EUA, ainda acrescentaram que o estudo mostrou que a única forma de escapar aos malefícios do cigarro é abandonar completamente o hábito.Michael Thun, da Sociedade Americana do Cancro, está de acordo. «Estes resultados dão apoio a outras provas [que mostram] que quando os fumadores diminuem a quantidade que fumam ou mudam para cigarros de baixos teores, também modificam a forma como fumam, a fim de extrair mais nicotina e alcatrão de cada cigarro», disse numa nota por escrito.«O estudo complementa outras linhas de provas as quais sugerem que o facto de abandonar o tabaco é muito mais benéfico que reduzir o número de cigarros. Pelo menos para o cancro do pulmão, o número de anos que se fuma é mais importante que o número de cigarros fumados por dia», acrescentou. «Além disso, mesmo quantidades muito pequenas do fumo são associadas a aumentos substanciais no risco de ataques cardíacos.»O consumo de tabaco provoca 90 por cento de todos os casos de cancro do pulmão e é uma importante causa de doenças cardiovasculares, as que mais matam no mundo.O estudo também mostrou como é difícil parar de fumar. Seis meses depois de iniciado o estudo, 56 por cento dos fumadores cederam à tentação e voltaram a fumar um maço por dia ou mais.Traduzido e adaptado por:Paula Pedro MartinsJornalistaMNI-Médicos Na Internet

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